quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sobre a sala de aula...


Eeeeeiii!!! Faz tempo que não escrevo por aqui! E tenho um bom motivo para tanto: estive ministrando aulas na universidade todos os dias úteis desde setembro, e isso tomou praticamente todo o meu tempo! Mas por que você está explicando o que te deixou sem tempo de escrever por aqui, Elisabeth (perguntam os que não me conhecem muito bem e ainda não entenderam minha real intenção com esse texto)? É que este é, também, o motivo que me fez voltar a escrever no blog! Nada melhor que refletir sobre nossa ação! É essa reflexão que nos permite lançar um olhar crítico sobre aquilo que fazemos, que nos permite evoluir (essa sou eu paulofreireando, rs)! E nesse espaço, discorro sobre algumas reflexões relativas a essa nova experiência em minha vida: a sala de aula.
Penso que ministrar disciplinas (por mais que eu tenha críticas a elas, principalmente quando falamos do curso de administração) tem um propósito maior. Você assume uma “função social” no papel de educador. E, meu Deus, quanta responsabilidade! Mesmo que alguns professores vejam a coisa toda por outro ângulo, achando que não possuem “responsabilidade social” nenhuma ao entrar numa sala de aula, que sua função (no sentido funcionalista mesmo da palavra) é simplesmente transmitir um conteúdo. Mesmo assim, em algum momento, em alguma discussão, o professor toma uma posição. Afinal de contas, ninguém é imparcial o tempo todo! E sua parcialidade enquanto profissional da educação tem um potencial imenso de contribuir na formação de uma opinião, não se enganem os mais simplistas! Todo profissional da educação exerce, querendo ou não, influência sobre os estudantes.
Não estou querendo dizer aqui que o professor é o “suprassumo” (nem sei se é assim que se escreve)! Sabemos que o que se dá numa sala de aula é uma construção que envolve a troca de experiências e saberes entre professores e estudantes. Mas se lançarmos um olhar relacional sobre a coisa toda, temos um profissional cuja atuação é legitimada por diplomas e instituições que lhe conferem uma espécie de poder simbólico, reforçado por diversos elementos como um birô, um crachá, um “senhor(a)” que lhe é dirigido, etc., etc. Nós não somos iguais.
Ciente dessas e de outras tantas questões que esse campo de estudos lindo (a educação) envolve, me vi passando num concurso e sendo chamada para assumir duas disciplinas no curso de administração da UFPE. Um verdadeiro acidente, mas isso não vem ao caso agora. O fato é que aconteceu, e lá fui eu, cheia de limitações, morrendo de medo, e com a cara pronta pra levar porrada. Afinal, quem era eu pra querer dar uma de “educadora”? Eu que não sei nada da vida ainda!
Pois bem, assumi a tarefa (um dia eu teria que assumi-la, e não seria fácil de qualquer jeito). Chegando lá, me deparo com uma sala cheia de pessoas com personalidades, experiências, perspectivas diferentes... Vários mundinhos reunidos numa sala para assistir aulas de comunicação e qualidade, esperando algo de mim, esperando uma contribuição daquele momento que passaríamos juntos em suas formações... Eram formações que estavam em jogo (inclusive a minha)! Ao enxergar os estudantes que estavam ali sentados na minha frente enquanto seres humanos em formação, não tive pra onde correr! Querendo ou não, você sente o peso da responsabilidade!
Não preciso nem dizer o quanto me desesperei, neh?! Mas comecei a agir! Passei os dias preparando aulas, pensando em atividades, lendo sobre o assunto, aprendendo e tentando ajudá-los a aprender. Bem, acho que o conteúdo básico eles entenderam.
Mas o que me deixou feliz não foi ter feito com que eles entendessem o conteúdo básico da disciplina... isso eu teria que fazer de qualquer jeito. O que me deixou feliz de verdade foi saber que cumpri, mesmo que minimamente, aquela função social que falei no início do texto. E como eu descobri isso? Bem, uma das atividades que propus aos alunos foi a construção de diários para uma das disciplinas. Essa ideia veio de uma experiência riquíssima de aprendizado que vivenciei na disciplina de didática do ensino superior, durante o mestrado. Achei que seria uma forma de eles pensarem criticamente sobre coisas “corriqueiras” do dia a dia, mas que na verdade, são cheias de significados. E lendo esses diários, me deparei com relatos interessantíssimos de alunos que pensaram duas vezes antes de consumir um produto, que começaram a pensar no seu papel enquanto “consumidores-cidadãos”, que pensaram em alternativas criativas para melhorar alguns processos em seus ambientes de trabalho.... Genteeee! Eu choro vendo uma coisa dessas!
Plantei uma sementinha em alguns alunos! E essa foi, sem dúvida, a melhor coisa desses quase dois meses de trabalho intenso! Vocês podem estar pensando: ah, ela propôs uma auto-reflexão pra dizer que fez tudo certo? Eu respondo: NADA DISSO, rs! Fiz muita coisa que preciso repensar sobre! Tenho muito, mas muuuuuito mesmo a melhorar nessa nova “empreitada”! Mas o fato de ter conseguido fazer os estudantes ampliarem um pouquinho suas perspectivas de análise sobre suas próprias ações supera todos os problemas pelos quais passei e me dá todo o gás para o próximo semestre letivo. Entrar na vida de outras pessoas (mesmo que pelo curto espaço de tempo de 60h/a) e dar aquela chacoalhada existencial nelas é a melhor possibilidade que a profissão de professor oferece, rs!
E para quem ler isso e achar que é coisa de sonhador, e que não se muda nada assim: Um Só Lamento pra você (essa foi uma das expressões de impacto que aprendi nessa nova experiência em sala de aula, rsrsrsrs).
=D


sábado, 8 de setembro de 2012

Apresento-lhes: Terceiro Sol


Sentir o mundo, expressar esse sentimento, e fazer disso uma arte.  Eis o que consegue de uma forma contagiante a banda Terceiro Sol, que acaba de lançar seu primeiro álbum, o Felicidade Decadente. Formada por cinco jovens pesqueirenses, a banda já vinha se apresentando em alguns eventos na cidade de Pesqueira, e eu já tinha estado em duas dessas apresentações, mas foi na última, realizada no festival Pesqueira Nação Rock, que fui fisgada de vez pelo trabalho desses lindos e lindas.
O festival é uma interessante iniciativa dos jovens de Pesqueira e região que possuem bandas e que se reunem ali para apresentarem seus trabalhos. É um momento que, além de permitir a divulgação da produção dos grupos, estabelece a troca e o diálogo entre as pessoas que vem trabalhando com música alternativa no agreste pernambucano. As bandas tocam essencialmente rock (com espaço também para raggae e outros estilos), são oriundas de Pesqueira e cidades circunvizinhas, e compostas em sua maioria por jovens que trabalham de forma totalmente independente.
O Terceiro Sol usou o espaço para apresentar músicas do seu novo álbum, cujas letras estão carregadas de uma forma particular, e livre, de enxergar o mundo. Cantando o viver e deixar viver, o mostrar-se sem medo, o ser diferente nesse mundo de protótipos, a banda mostra sua esperança na força que o próprio ser humano possui para transformar uma realidade cheia de estereótipos e marcada por uma “doutrina da corrupção”. Quando tudo e todos parecem tão desencantados com a situação atual, é estimulante ouvir um trabalho como este, que não só mostra o lado louco do mundo, mas propõe que acreditemos em nós e no nosso potencial de fazer daqui um lugar melhor.
As músicas são compostas por frases que insistem em não sair da cabeça: “Faça tudo o que você quiser, mas não esqueça de amar uma pessoa”, “Vive e deixa viver, vive o futuro é você”, dentre outras visivelmente escritas por pessoas antenadas, sensíveis e, melhor ainda, que conseguem transmitir essa sensibilidade através das palavras – uma habilidade de raros!
Além das letras que me encantaram por mostrar que esse pessoal está usando a música pra expressar sua preocupação com a realidade em que vive, o trabalho que eles tem tido para fazer a banda funcionar também me encheu de orgulho. Senti que o grupo amadureceu consideravelmente desde o primeiro show que assisti, e que apesar de todos os problemas técnicos que surgiram durante o festival, eles mostraram que estão acima de tudo unidos e que vinham se preparando com afinco para estarem ali apresentando o álbum. Essa união do grupo fica ainda mais bonita quando vemos os pais de dois dos integrantes presentes em todos os shows, comercializando os CDs, registrando todos os momentos... E todo esse amor que emana do grupo é encantador!
           Ver esses meninos e meninas se soltando no palco, cantando aquilo em que acreditam, passando essa bela mensagem ao público, me faz ter cada vez mais certeza do poder transformador que a cultura e a juventude possuem. Fico muito feliz em ver o Terceiro Sol vencendo as dificuldades e lançando esse álbum cujas músicas já estão na boca dos fãs. Desejo todo sucesso pra vocês, meninos e meninas! Vocês são a nova cara da música brasileira, mais reflexiva e crítica! Parabéns J

domingo, 29 de julho de 2012

Filosofando nas redes sociais


Gentein, comecei esse post intrigada com pessoas que se incomodam com os “filósofos” das redes sociais. Tentando mostrar o lado bom da história, resolvi filosofar também, mas acabei nem terminando o texto :P No final das contas, a mensagem que eu queria  passar é que vale a pena filosofar, galere! Não se reprimam!
Curtam o texto inacabado ;)

Todo indivíduo que se preze já se questionou sobre si mesmo, sobre sua realidade, sobre sua condição. Não me venha dizer que você nunca deu uma de filósofo, porque isso é uma mentira das grandes! Todo ser pensante problematiza sua realidade e busca explicações plausíveis que sosseguem suas “questões existenciais”, por assim dizer.... acho que o que nos diferencia  é que alguns se dedicam a buscar respostas para esses questionamentos, não se aquietam, são as chatas da história! Outras simplesmente superam isso, seguem suas vidas, e aceitam as coisas como são. Não estou menosrezando o segundo grupo. Pelo contrário! Acho que eles cumprem um papel importante: são os objetivos e práticos da história. Pessoas assim são essenciais! Infelizmente esse não é o meu caso. Sou qualquer coisa menos objetiva! Sempre parto do princípio de que tudo é subjetivo, começando por mim! Estou o tempo todo me perguntando porque eu e as pessoas ao meu redor são da forma como eu os conheço e não de outra. E a ciência por si só não dá conta de todas as minhas questões! Meus valores, minhas crenças, minha cultura me ajudam a entender um monte de coisa... Esse é o motim desse texto: o quê (do pouco que eu sei) me ajuda a entender o quê da minha existência.
Não posso dizer que sou religiosa. Há muito tempo deixei de acreditar que uma das religiões com as quais tive contato me ajudariam a ter uma vida espiritualmente mais saudável. Sim, creio em Deus. Mas não faço ideia de como ele é exatamente, e acho humanamente impossível alguém conhecer sua verdadeira aparência. Duvido muito que se pareça com as imagens que estão por ai. Posso estar viajando na maionese (o que, se tratando da minha pessoa, é fácil fácil), mas pra mim ele não tem forma humana nem animal... ele transcende isso tudo... é como uma força (do bem, claro),  um sentimento maior, que pode se manifestar em qualquer forma. Gosto de pensar nele assim, me parece mais reconfortante. Sim, esse sentimento pode estar em qualquer lugar. Sim, Deus pode estar em nós (o que pode soar como uma heresia para alguns).... E ele está presente quando alguns princípios são respeitados (prefiro crer nos princípios, e não em “regras de etiqueta de uma boa cristã”) como o princípio da preservação da vida, o princípio do amor ao próximo, do respeito, enfim... Pensando assim, acho bem mais fácil colocar em prática o bem.
Acredito no princípio da reencarnação e em vidas passadas. Acredito que todos temos um propósito no mundo, seja ajudar alguém, seja reparar algum mal que fizemos numa outra passagem por aqui, ou outra coisa qualquer. E que fique bem claro: isso é uma crença! Não posso provar isso. Faz parte da minha cultura, dos contextos que frequentei, das conversas que tive, das situações que vivenciei, das leituras que fiz, das pessoas que passaram por minha vida. Não me venham com argumentos científico-racionais pra tentar me convencer do contrário, pfv.
Claro que nem tudo pode ser explicado através dessas crenças (talvez até possa, mas meu esquema mental de explicação para a realidade não consegue se basear só nisso, eu precisaria ser reeducada para  apreender as coisas de outra forma). Os homens estabelecem relações que, inevitavelmente, acarretam conflitos. É ai que a ciência, nomeadamente a sociologia, me dá o suporte que eu preciso para entender (ou seria perceber?) alguns meandros da realidade. As relações de poder sempre existirão, sempre teremos interesses específicos e buscaremos obter certos recursos para alcançá-los. E isso acontece porque existe uma pluralidade de crenças e valores que nos levam a divergir: enxergamos a(s) realidade(s) de formas diferentes, e defenderemos até o fim aquilo que julgamos importante (que pode não ser o que o outro acha relevante). Cabe a nós nos apegarmos aos “princípios do bem”, e construir relações alicerçadas no respeito. Acho que se a gente cultiva o amor dentro da gente, tudo fica mais fácil (isso é clichê, mas é algo em que eu acredito de verdade!).

Amores Imperfeitos

Vamos lá gastar meu tempo mais uma vez escrevendo coisas que não me levarão a lugar nenhum!
Não sei vocês, mas adoro um romance fora do comum. Aliás, acredito que o cinema e os consumidores da sétima arte já estão saturados de historinhas de amor previsíveis: um cara legal que se apaixona pela mocinha legal, eles superam alguns obstáculos, tudo parece caminhar rumo ao fracasso, até que o “destino” permite que os dois fiquem juntos... chato!
Já vi por ai uma frase que diz que o amor é imperfeito, e é perfeito que seja assim. Sendo perfeito ou não, histórias que mostram o lado trash do amor estão bem mais próximas do que é amar de verdade. Na vida real, a pureza do amor e a "felicidade garantida" estão longe de serem alcançadas, e essa é uma opinião minha, fruto da minha forma particular de enxergar as coisas (nada otimista, não sei se vocês repararam =P).  Pra mim o amor envolve, acima de tudo, expectativas. Ou seja, já começa todo errado! Ai por esperar demais de alguém tão imperfeito quanto nós, acabamos alimentando sentimentos idiotas (ciúmes, mágoas, blá blá blá)... e por mais que a gente exercite a vigilância, é quase inevitável agir como idiotas quando amamos.....
ENFIM, o objetivo do texto (pelo menos o objetivo inicial) NÃO é discutir minha visão sobre o “amor”. Quem sabe um próximo texto? Por enquanto, a ideia é apenas falar um pouquinho sobre as histórias de amor mais incomuns que mais curti na telinha. Vou falar de películas recentes, devido a meus problemas em lembrar detalhadamente de histórias de filmes, hehehe! E, lembrem-se, não sou cinéfila nem crítica de cinema. Limito-me a registrar minhas impressões sobre enredos que, por um motivo ou outro, chamam a minha atenção e me fazem viajar na maionese... Pois bem, deixando de enrolação, comecemos com o mais recente que vi: Os Nomes do Amor.


O filme conta a história de dois personagens em situação delicada numa França xenófoba. Ele é de ascendência judia e  cresceu numa família que fez da história dos seus avós judeus deportados no passsado um tabu. Assim, ele esconde sua história de todos, afinal, seu desejo é apenas ser um cidadão francês normal. Ela é de ascendência árabe, foi molestada quando criança e cresceu usando o sexo como arma política. Bem diferente dele, ela não esconde sua ascendência e seu asco por todos os xenófobos. É daquelas personagens livres, sensuais, cheia de opiniões sobre tudo... apaixonante! Eles se apaixonam de uma forma bem inusitada (ela é uma prostituta política e bem “distraída” quando o assunto são padrões de “decência”, rs) e o filme é cheio de discussões políticas regadas a comédia e romance. A primeira noite de amor do casal foi uma das cenas mais lindas que já vi na minha vida: Ele começa vestindo-a. Isso mesmo! Vestindo-a! Nada comum. E a paixão que nasce entre os dois é uma mistura de admiração, ciúmes, discussões, bagunça... é tão lindoooo! Recomendadíssimo!


O segundo filme é 500 dias com ela. Há quem não goste desse filme...  eu o amo! Na verdade, nunca soube explicar muito bem porque gosto tanto daquela história... vou tentar fazer isso aqui. Às vezes me identifico com a Summer (pfv, não me julguem mal!). Afinal, o que estamos buscando quando começamos um relacionamento? Alguém que nos complete, creio eu! Alguém que nos faça melhores, que nos faça felizes, com quem possamos dividir a vida.... bem egoísta, não? Pensamos inicialmente em satisfazer nossos próprios desejos. Mas ai vem o amor, e passamos a querer o bem daquela pessoa, porque ela de fato começa a ser nossa “metade”. Ai fazemos o possível e o impossível para vê-la sempre bem... e o tempo que leva pra esse “amor” surgir pode ser questão de semanas ou até de anos....
No caso de 500 dias com ela, a Summer não conseguiu amar o Tom. Chegou um momento em que ela estava infeliz, e que a presença dele em sua vida não bastava para mudar essa situação... ela percebeu que ele não a completava como ela esperava. E ela foi sincera com ele, rompeu o relacionamento e foi em busca de alguém que a completasse. Ela não o amou. Se tivesse amado, fazê-lo feliz a faria feliz. Eu não a culpo por não tê-lo amado! Como eu disse antes, nos magoamos demais com as pessoas porque esperamos demais delas... mas ninguém é obrigado a nos amar (infelizmente!). Bem... acho que amo tanto esse filme porque me identifico com ele. Já precisei sair da vida de pessoas porque não consegui amá-las, e elas não me perdoaram (sniff). Mas acredito que deixei alguma coisa de boa nelas, assim como elas deixaram em mim, assim como Summer fez Tom voltar a acreditar nos seus sonhos, se apaixonando novamente pela arquitetura e buscando alguém que realmente o merecesse... Aiai, já comecei a falar de mim de novo.... vamos para o próximo filme!


O terceiro filme é Imagine Eu e Você. É um romance entre duas mulheres, uma delas recém casada com um carinha super gente fina. O casamento deles parece perfeito, mas eis que ela começa a sentir algo a mais pela florista do seu casamento (é assim que se chama a pessoa que trabalha com flores???). O filme é a história de aceitação desse romance. A florista chega a namorar um cara, tentando se enganar... mas não rola. Gosto do filme por não ser convencional (foge das histórias entre meninos e meninas) e por trazer essa faceta do amor entre pessoas que são gays, mas que tem dificuldade em se identificar como tal: o período de enganação de si. Me revolto com essa história de reprimir sentimentos pra seguir padrões... e o filme trata de uma forma bem leve esse tema delicado.


O quarto filme é Tomates Verdes Fritos. Na verdade, a história de amor que existe nesse filme é entre duas amigas. Há quem diga que se trata de um romance homossexual, o que pode até ser verdade, tem muita brecha pra ver por esse lado, mas o que mais me chama atenção nesse filme é o amor que nutrimos por pessoas que não são das nossas famílias e que não tem nada a ver com sexo. Idgie é uma garota problemática que perdeu o irmão quando criança. Seu irmão flertava com Ruth na dolescência. Ruth é uma garota certinha que, com a morte do irmão de Idge, e com o passar dos anos, se casa com um brutamontes idiota. Elas se tornam grandes amigas, e existe um amor lindo entre as duas. Idge, a mais durona da história, sempre defende Ruth, e essa última tem um filho que é criado com todo amor das duas e dos demais personagens da história que fazem parte da vida delas. Esse é daqueles filmes que mostram que o amor pode estar em qualquer lugar. É simplezinho, se passa numa cidadezinha do interior... uma delicinha pra se assistir a tarde.


Vicky Cristina Barcelona conta a história de uma garota, Cristina, que está em busca de algo na vida, e que não sabe exatamente o que é. Nessa busca, ela se envolve em uma aventura em Barcelona com Juan Antonio (Javier, aquele lindo!) e Maria Elena (Penélope Cruz, na lista das minhas atrizes favoritas). Um romance louco, cheio de sensualidade, arte, e aquela sensação inebriante que as ruas de Barcelona causam. Mas mesmo se envolvendo nesse romance cheio de paixão, eis que, mais uma vez em sua vida, Cristina acaba sentido aquele vazio, aquela sensação tão conhecida por ela, de que está longe do que busca. Percebendo isso, ela cai fora do relacionamento, deixando Maria Elena possessa de raiva. O filme também conta a história da sua irmã, Vicky, mas é da Cristina que eu gosto, rsrsrs! Acho que a Cristina se envolve naquele romance a três sem a pretensão de construir uma vida daquele jeito... ela queria experimentar, saber se aquilo preencheria seu vazio, e só. Não preencheu, ela foi atrás de outra coisa que a completasse. A Maria Elena se envolveu muito com ela e realmente acreditou que Cristina faria parte da sua vida, e foi quem saiu magoada da história... Mas ela era bem perturbada, vamos e convenhamos =P
O que ficou desse filme foi que às vezes nos envolvemos com pessoas e nos metemos em situações porque não sabemos exatamente o que queremos. Cristina é mais uma perdida no mundo, mas um dia, de tanto não se encontrar, ela acaba descobrindo do que ela precisa... O lado ruim dessa história é que nessa busca, outras pessoas podem sair magoadas. É preciso pensar nisso antes de seguir. Não dá pra pensar só em nós mesmos, neh?

Bem... agora me veio uma enxurrada de outros filmes a mente, que tratam o amor de forma não convencional... mas não quero me estender nesse texto. Uma vez me disseram que meus textos são muito longos, por isso que poucos me lêem, rsrsrsrs! Bjo pessoas ;)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sobre o fim dos tempos

São muitas as ameaças , várias as especulações, diversos os receios... O tema “fim dos tempos” é continuamente explorado em discussões religiosas, científicas e (onde eu mais gosto) pela arte. Sempre carregadas dos temores mais íntimos do ser humano, cada versão do apocalipse e de um mundo pós apocalíptico mexe conosco por vermos ali uma possível futura realidade. Acaba sendo mais que uma simples história fictícia... transforma-se num pesadelo meio real, meio fantástico... meio distante, meio próximo... enfim. O propósito desse texto é reunir algumas versões sobre o tema e falar brevemente sobre cada uma, sem chegar a lugar nenhum. Começando com Guerra dos Mundos.
Faz tanto tempo que assisti esse filme que nem lembro exatamente a história, mas sei que está na linha de filmes que usam seres de outros planetas para dominar a terra e subjugar a raça humana. Bem... que é possível existir vida em outros planetas eu até acredito, mas enquanto eles não se manifestam, vou pensar nessa possibilidade de fim do mundo como bem distante. Acho que o que dá pra tirar desses filmes é que somos geralmente retratados como a raça inferior (seja em tecnologia, seja em nível de articulação, seja no quesito racionalidade... ), e que os alienígenas devem ver muita vantagem em dominar nosso planeta e humilhar nossa espécie... somos os queridinhos da galáxia *.*


De Ponto de Impacto eu só lembro que o mundo é arrasado, que Elijah Wood está em cena, e que ele está na linha de filmes como O Dia Depois de Amanhã. Os desastres são causados por questões ambientais. É o homem lutando com a natureza. Se explora a “pequenez” do ser humano diante dela, e incita no homem a necessidade de controlá-la ainda mais se precavendo contra grandes desastres.  


Em The Walking Dead o fim dos tempos vem com a proliferação de um vírus que transforma todo mundo em zumbi. Qual a situação dos sobreviventes? Lutar contra os zumbis e se articularem para manter uma harmonia desejável, porém quase impossível, dadas as diferentes personalidades e conflitos de interesses entre eles. O fim dos tempos fica um tanto distante da realidade, afinal, zumbi só em filme! Mas as disputas entre os personagens é o mais interessante, apontando para o fato de que o interessa de verdade na hora do desespero é a sobrevivência (nada de novo, mas algo que pode ser explorado de várias maneiras). A especulação sobre um vírus também me parece bem bacana, o que me leva à terceira versão:


Em Ensaio sobre a cegueira não encontramos o fim dos tempos propriamente, afinal, a situação é contornada no fim da história (só assisti o filme, ainda não li Saramago). Porém, é uma boa prévia de uma catástrofe. Na minha opinião é a melhor versão do fim dos tempos de todos os tempos: algo muito próximo da realidade, cujo pivô é a privação de UM dos nossos sentidos! SOMENTE UM! É ai que está o fantástico da história! O ser humano é tão frágil que um sentido a menos nos levaria a uma situação de caos, que nos equipararia a animais (sem entrar na discussão de que também somos animais, blá, blá, blá). Somos retratados como uma espécie limitada pelos sentidos, e que não sobreviveria (pelo menos a curto e médio prazo... e aqui tô pensando numa possível evolução da espécie) à mudança de sua pobre condição... Uma sacada perfeita! E o filme ainda tem o Mark Ruffalo... vou nem comentar, é muita fofice!

Tempos de Lobo foi a última versão sobre o fim dos tempos que me chamou a atenção. Sem dúvida a mais real de todas! Na verdade, a causa da devastação do planeta não é retratada, mas sim o mundo pós apocalíptico. E nesse mundo estão os poucos sobreviventes, que lutam contra o frio, a fome, e que alimentam a esperança de que um trem irá salvá-los... fiquei pensando no recurso feito ao trem na história... sei lá, deixou a coisa mais triste... todos ali na estação, sendo liderados por um cara cuja liderança é questionada (mais uma vez os conflitos de interesses expostos), alguns acreditando na vinda do trem, outros não... alguns descontrolados, outros não... e enquanto isso, há muito silêncio... é uma produção que explora muito o silêncio dos personagens, os olhares, os gestos... a tristeza impera no filme! Fora a crença nos “justus” que alguns cultivam. Enfim, seres humanos apegados às suas crenças numa situação de crise. Nada que fuja de uma realidade que pode estar bem próxima de todos nós.

Faço de tudo, menos a dissertação... :P

Xêro, seus lindos e suas lindas

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ética X Responsabilidade Social Empresarial


Eu já devia ter começado a escrever sobre a experiência do estágio docência há mais tempo... Mas, acreditando que nunca é tarde demais para começar, me empenho desde já nessa tarefa de registrar minhas impressões sobre essa disciplina, a tal da “Ética profissional e da empresa”. O fato é que hoje tivemos aula de responsabilidade social da empresa, e essa aula em especial mexeu um bocado comigo (o que não é muito difícil). Nunca acreditei muito nessa conversa de empresa responsável, e hoje tive certeza de que não é possível (por mais que a professora da disciplina tentasse me mostrar o contrário). Na minha singela opinião de mera pesquisadora iniciante (sem muita bagagem teórica, publicações, etc. e tal) as empresas atendem a uma lógica capitalista por natureza, de maximização de lucro (para o/s proprietário/s). O neoliberalismo como ordem econômica, se apresenta a essas organizações como o melhor meio de se alcançar tal objetivo uma vez que permite um mercado auto-regulado e com pouca (ou nenhuma) interferência de um Estado que interceda pelo bem dos cidadãos. Abrindo parênteses, esse sistema é tão inteligente que não posso deixar de, ironicamente, lhe dar seu mérito, como Darcy Ribeiro em relação às classes dominantes que oprimiram a sociedade brasileira durante séculos. Ele é tão esperto que já comprou o próprio Estado, que agora regula em seu favor! Fechando parênteses, enfim, me pergunto como uma empresa que funciona sob essa lógica, opressora por natureza, pode ser socialmente responsável? Ela quer garantir “o seu” mesmo que isso custe o bem estar de outros, e isso me parece tão óbvio (a leitura de Darcy Ribeiro foi muito recente, perdão pela constante referência)! 
O argumento que a professora da disciplina usou a favor da responsabilidade social da empresa foi que esta consiste num contínuum, e que é sempre possível à empresa dar um passo a frente nesse contínuum. Pra mim, as empresas estão fadadas a manter-se sempre um passo atrás! Pra falar a verdade, não acredito que esse conceito de contínuum seja apropriado: ou a organização é responsável ou não é! Ou ela é justa com todos os agentes com quem estabelece relações (o conceito de stakeholders não abrange todas as relações de poder que existem nesse âmbito, e por isso prefiro não usá-lo), e responde pela consequência de seus atos ou não! E não adianta fazer caridade aqui e acolá sonegar um imposto ou outro. Isso não é responsabilidade, é hipocrisia, é querer mostrar-se bonzinho ocultando o feio e gritando aos quatro ventos o belo!
Nessa lógica capitalista moderna de concorrência desleal, de manipulações de informações e de pessoas, de retenção de renda, é impossível negociar limpo. É impossível ser socialmente responsável, no sentido pleno da palavra! E o pior, o curso de administração tenta o tempo todo justificar como os negócios são éticos! Como os atos das empresas são justificáveis! Como a sociedade precisa das empresas, blá blá blá!
Estou em busca de um caso que me prove o contrário. Enquanto não encontro, me pergunto: o que fazer em meio a esse jogo? Qual o meu papel social? Já me deixaram bem claro que não posso mudar o mundo e fazê-lo funcionar da forma como acho mais justo (incrível como todo mundo diz a mesma coisa!). Também já ficou bem claro pra mim (e isso não foi ninguém que me disse, eu só observei) que as pessoas não estão preocupadas com isso. Manter-se em sua rotina e ser remunerado sem se preocupar em mudar as coisas que incomodam “de vez em quando” nesse mundo de meu Deus é o suficiente para se viver bem. Mas e o que eu faço se eu não concordo com essa irresponsabilidade empresarial, com esses discursos hipócritas, com essa dominação do mais forte sobre os mais fracos (mais fracos estes que tem que seguir as regras ditadas pelos mais fortes se não estão fora do jogo)? Por enquanto só consegui chegar à simples conclusão que o que me resta é agir conscientemente. Por que vou consumir produtos de grandes empresas se não concordo com a lógica na qual elas se inserem e a partir da qual funcionam? Não quero levar adiante esse sistema e, de alguma forma, me sinto responsável pelas consequências disso uma vez que faço parte dele enquanto consumidora. Esse é o sentido da responsabilidade social. Eu sou responsável, as empresas não.

sábado, 9 de junho de 2012

Estive no inferno e lembrei de você


     Um olho, uma bunda, e um ralo. Estes três elementos são os grandes destaques na vida de Lourenço, um homem incapaz de amar ou de sequer se importar com alguém, e que tem na realização de suas taras a constituição da sua realidade.
     O Cheiro do Ralo é mais um daqueles filmes brasileiros que tratam as coisas mais trágicas da condição humana através de situações simples e inusitadas (e com Selton Mello, pra variar). É necessário quebrar a cabeça pra ver alguma lógica nessas histórias formadas por um encadeamento inesperado de acontecimentos na(s) vida(s) do(s) personagem(s)... pois bem... desafio aceito!
     Lourenço é um cara que aos olhos do espectador parece, no mínimo, perturbado. Afinal, estamos acompanhando seus passos e pensamentos na telinha. Entretanto, na vida real ele nos passaria tranquilamente a sensação de alguém normal e seguro de si: um negociador, dono de um empreendimento, com alguns problemas pessoais... mas quem não os tem, afinal? Enfim... um cara como outro qualquer.
     Seu trabalho é adquirir quinquilharias e guardá-las na “sala ao lado”. Eis que suas esquisitices começam a surgir. Ele parece não ter uma história, e vive antes de tudo para atender seus desejos egoístas: o rompimento de um casamento há muito tempo planejado e sua saga para ver a bunda de uma garçonete são exemplos de como sua vida é movida por esses tipos de desejos. Essa ausência de uma história parece ser compensada pela aquisição de objetos velhos, que possuem uma trajetória, um passado pra contar (mesmo que essa história seja inventada pelo personagem).
     Lourenço não adquire qualquer objeto... os objetos pelos quais ele se interessa são os mais absurdos possíveis. Um olho e uma prótese de perna são bons exemplos de objetos absurdos que ele compra justamente para constituir sua própria história. No caso desses dois objetos mais especificamente, a história de um pai que ele nunca teve. Assim, o olho passa a ser o olho do seu pai, o qual o personagem exibe com orgulho para todos, juntamente com a história fictícia de um pai morto na segunda guerra mundial (história que acaba se tornando muito próxima da realidade quando Lourenço dá uma grande festa por conhecer alguém que lutou na guerra com seu pai)... O olho então passa a ser uma espécie de amuleto na vida de Lourenço, um olho que precisa ver de tudo, inclusive a bunda que o personagem tanto deseja...
     O escritório de trabalho de Lourenço tem um banheiro cujo ralo está com defeito, exalando um cheiro desagradável. Algo na personalidade de Lourenço fede, acho que ele inconscientemente sabe disso, mas a culpa é do ralo, claro, o que ele deixa bem claro a cada cliente que entra no seu escritório. Segundo o personagem, os problemas da sua vida são decorrência do mau cheiro daquele ralo, que é uma espécie de “porta do inferno”, por onde espiam os seres que ali vivem.
     A personalidade doentia do personagem, entretanto, faz da causa dos seus males sua salvação, como alguém que vende sua alma ao diabo. De repente, o cheiro do ralo passa a lhe dar poder, e naquele escritório, o seu poder de negar uma oferta de um cliente junto ao odor fétido do ralo e à sorte que emana do olho, seu amuleto, fazem de Lourenço um ser poderoso, capaz de humilhar seus clientes sem a mínima culpa, algo que na verdade, o satisfaz...
     O personagem, portanto, não se culpa por ter uma vida tão mesquinha e execrável... a culpa ora é do ralo, ora é da bunda da garçonete que o faz comer aquela comida ruim da lanchonete e ter problemas intestinais, ora é do cliente inconveniente, ora é da ex-noiva neurótica. Ele é tão incapaz de sentir que a causa de qualquer coisa está nele mesmo que até seu poder está em coisas exteriores a si: no seu dinheiro, no olho, ou no mau cheiro do seu banheiro.
     O filme meche com coisas tão malucas que as cenas finais, por mais trágicas que intencionem ser, são cômicas e me fizeram bolar de rir, caso do seu encontro com o objeto dos seus sonhos e a sua morte diante da causa de sua queda e de sua ascensão (o choro diante da bunda, e a morte junto ao ralo)... Certamente um filme bem tosco... mas vai me dizer que você nunca desejou algo maluco aos olhos de outra pessoa ou nunca jogou a culpa de todas as suas desgraças em algo bem distante de você mesmo? ;)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Porque não gosto do que é bom

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.”
Um amigo meu publicou essa frase no seu status do facebook ontem. Quando li, pensei que acordar exige um trabalhão (analisar a si próprio é difícil, e talvez por isso algumas pessoas prefiram pagar um analista), e que sonhar acaba sendo bem mais cômodo. Sugiro que essa frase oriente a leitura das minhas próximas reflexões.
Estava até agora a pouco lendo sobre cultura popular. Adoro estudar sobre esse assunto, e creio que não poderia ter “escolhido” um tema de pesquisa melhor. De forma bem simplificada, compreende-se por cultura popular as tradições culturais de comunidades, manifestadas em diversas linguagens (música, dança, circo, teatro, etc). São exemplos o rezado, o coco, a ciranda, os bois, o cavalo marinho, o afoxé, dentre tantos e tantos outros.
Por tanto tempo escanteada pelas políticas públicas de cultura e beeem  longe dos interesses empresariais, dá para entender (mesmo que por alto, afinal isso exige uma outra discussão) porque a cultura popular geralmente é desenvolvida por quem está inserido nos grupos mais desassistidos da sociedade. Exemplos? O terreiro de candomblé existente nas periferias, a capoeira realizada pelos jovens oriundos de famílias pobres, o hip hop dos jovens dos guetos que através da música fazem o seu protesto, a ciranda de Lia de uma comunidade simples lá do Janga, etc, etc. O interessante é perceber que a identidade cultural dessas pessoas é bem mais forte que a de pessoas de “classe média” ou “classe média alta”...
A partir de 2003 houve um reposicionamento do Estado em relação à cultura popular e a formulação de programas melhor articulados com as realidades das comunidades e coletivos culturais. A cultura popular ganhou visibilidade, entretanto a grande Indústria Cultural não perdeu seu poderio, e diante dos editais públicos, a cultura popular se vê constantemente tendo que competir com manifestações culturais mais consagradas no cenário nacional (Galo Preto competindo com a Nação Zumbi, por exemplo).
A Indústria Cultural trabalha mais com a lógica de que a cultura pode ser transformada em produto com determinado valor de uso e de troca, e quando bem usada pela empresa, pode lhe garantir valor agregado. Os críticos chamam isso de “economização” da cultura, e para uma maior legitimidade dessa Indústria, alguns ramos de estudo foram recentemente desenvolvidos como o Marketing Cultural e a Economia da Cultura, por exemplo. Assim, é fácil vermos aquela figurinha que o povão gosta nos eventos patrocinados pelas instituições empresariais. Pode ter certeza: essa figurinha rende muita visibilidade aos patrocinadores naquele momento.
Por que comecei a escrever sobre isso mesmo???... Ah, porque a partir do momento que comecei a ler sobre cultura me dei conta que muitas são as manifestações culturais, de diversas ordens, competindo por recurso e visibilidade. Temos a cultura popular, a cultura de massa, a cultura erudita (nem falei muito sobre ela, mas creio que vocês tenham uma noção do que é).... Diante disso e de muitas outras questões que permeiam as discussões no campo da cultura, me pergunto: existe uma cultura melhor que a outra? É possível dizer: a boa música, o bom teatro, o bom sei lá o que?
Verdade seja dita: por trás de qualquer manifestação cultural há uma tradição, mesmo que esquecida. O hip hop, a música sertaneja, a MPB, o funk, são manifestações culturais e são ou já foram depósito de ideologias.  Não se faz cultura sem acreditar em alguma coisa. A cultura é uma forma de expressão humana! Em conversa com um amigo, tentamos entender o que está por trás daqueles bregas típicos de Recife, que valorizam o corpo, a “gaia”, e essas coisas vazias (vazias para mim, e creio que para vocês também). Chegamos à conclusão que tudo o que é valorizado nessas músicas é reflexo da realidade em que vivem as pessoas que gostam dessas músicas! Coisas efêmeras, aparências, intrigas, desvalorização da mulher, do homossexual, do deficiente, etc, etc, etc. É a realidade delas! E antes de rotular a cultura delas como ruim, por que não discutir questões mais amplas que levam a esse tipo de expressão cultural como a marginalidade, o acesso à serviços precários de saúde, educação e infra-estrutura, dentre outras barbaridades às quais estas pessoas estão expostas?
Não estou dizendo que esse tipo de cultura deva ser valorizada nem desvalorizada! Mas digo que não é adequado classificar algo como bom ou ruim sem entender suas origens. Na verdade, talvez o fato não seja nem classificar como bom ou ruim (a pós modernidade repugna as dicotomias, e eu estou cada vez mais concordando com essa ideia). Talvez seja o caso de entender a quê ou a quem aquilo serve, em quê gostar ou não daquela manifestação cultural implica, quais os valores ali implícitos.
Há também uma questão de gosto ai. E quando falo de gosto, falo a partir de uma perspectiva sociológica, de inclinações construídas socialmente, pelo contato com a família, com os amigos, com diferentes estilos de vida observados nos diversos contextos pelos quais já passamos. Por isso não acho apropriado dizer que gosto da boa música, por exemplo. É muita prepotência acreditar que meu gosto é melhor que o de outra pessoa, ou que aquilo que eu gosto é bom, e o resto é ruim. Não gosto da boa música, nem da ruim. Gosto do que me acrescenta, que me faz repensar valores, sentimentos, certezas, que “quebra paradigmas”, que possui um propósito por trás do que se apresenta como óbvio! Sou capaz de listar os motivos que me fazem gostar mais de uma música do que de outra, em vez de simplesmente repetir a opinião de alguém que considero "cult". Aliás, dar uma de "cult" ultimamente é moda, né (só uma alfinetada, rs).
O fato é que não me sinto digna de valorar nenhuma manifestação cultural partindo de algo tão subjetivo como meu gosto. Não gosto do que é bom. Gosto do que aprendi a gostar por motivos diversos. Deixo essa valoração para os mais sabidos. Eu só sei que nada sei... :P