Eeeeeiii!!! Faz tempo que não
escrevo por aqui! E tenho um bom motivo para tanto: estive ministrando
aulas na universidade todos os dias úteis desde setembro, e isso
tomou praticamente todo o meu tempo! Mas por que você está
explicando o que te deixou sem tempo de escrever por aqui, Elisabeth
(perguntam os que não me conhecem muito bem e ainda não entenderam
minha real intenção com esse texto)? É que este é, também, o
motivo que me fez voltar a escrever no blog! Nada melhor que refletir
sobre nossa ação! É essa reflexão que nos permite lançar um
olhar crítico sobre aquilo que fazemos, que nos permite evoluir
(essa sou eu paulofreireando, rs)! E nesse espaço, discorro sobre
algumas reflexões relativas a essa nova experiência em minha vida:
a sala de aula.
Penso que ministrar disciplinas (por
mais que eu tenha críticas a elas, principalmente quando falamos do
curso de administração) tem um propósito maior. Você assume uma
“função social” no papel de educador. E, meu Deus, quanta
responsabilidade! Mesmo que alguns professores vejam a coisa toda por
outro ângulo, achando que não possuem “responsabilidade social”
nenhuma ao entrar numa sala de aula, que sua função (no sentido
funcionalista mesmo da palavra) é simplesmente transmitir um
conteúdo. Mesmo assim, em algum momento, em alguma discussão, o
professor toma uma posição. Afinal de contas, ninguém é imparcial
o tempo todo! E sua parcialidade enquanto profissional da educação
tem um potencial imenso de contribuir na formação de uma opinião,
não se enganem os mais simplistas! Todo profissional da educação
exerce, querendo ou não, influência sobre os estudantes.
Não estou querendo dizer aqui que o
professor é o “suprassumo” (nem sei se é assim que se escreve)!
Sabemos que o que se dá numa sala de aula é uma construção que
envolve a troca de experiências e saberes entre professores e
estudantes. Mas se lançarmos um olhar relacional sobre a coisa toda,
temos um profissional cuja atuação é legitimada por diplomas e
instituições que lhe conferem uma espécie de poder simbólico,
reforçado por diversos elementos como um birô, um crachá, um
“senhor(a)” que lhe é dirigido, etc., etc. Nós não somos
iguais.
Ciente dessas e de outras tantas
questões que esse campo de estudos lindo (a educação) envolve, me
vi passando num concurso e sendo chamada para assumir duas
disciplinas no curso de administração da UFPE. Um verdadeiro
acidente, mas isso não vem ao caso agora. O fato é que aconteceu, e
lá fui eu, cheia de limitações, morrendo de medo, e com a cara
pronta pra levar porrada. Afinal, quem era eu pra querer dar uma de
“educadora”? Eu que não sei nada da vida ainda!
Pois bem, assumi a tarefa (um dia eu
teria que assumi-la, e não seria fácil de qualquer jeito). Chegando
lá, me deparo com uma sala cheia de pessoas com personalidades,
experiências, perspectivas diferentes... Vários mundinhos reunidos
numa sala para assistir aulas de comunicação e qualidade, esperando
algo de mim, esperando uma contribuição daquele momento que
passaríamos juntos em suas formações... Eram formações que
estavam em jogo (inclusive a minha)! Ao enxergar os estudantes que
estavam ali sentados na minha frente enquanto seres humanos em
formação, não tive pra onde correr! Querendo ou não, você sente
o peso da responsabilidade!
Não preciso nem dizer o quanto me
desesperei, neh?! Mas comecei a agir! Passei os dias preparando
aulas, pensando em atividades, lendo sobre o assunto, aprendendo e
tentando ajudá-los a aprender. Bem, acho que o conteúdo básico
eles entenderam.
Mas o que me deixou feliz não foi
ter feito com que eles entendessem o conteúdo básico da
disciplina... isso eu teria que fazer de qualquer jeito. O que me
deixou feliz de verdade foi saber que cumpri, mesmo que minimamente,
aquela função social que falei no início do texto. E como eu
descobri isso? Bem, uma das atividades que propus aos alunos foi a
construção de diários para uma das disciplinas. Essa ideia veio de
uma experiência riquíssima de aprendizado que vivenciei na
disciplina de didática do ensino superior, durante o mestrado. Achei
que seria uma forma de eles pensarem criticamente sobre coisas
“corriqueiras” do dia a dia, mas que na verdade, são cheias de
significados. E lendo esses diários, me deparei com relatos
interessantíssimos de alunos que pensaram duas vezes antes de
consumir um produto, que começaram a pensar no seu papel enquanto
“consumidores-cidadãos”, que pensaram em alternativas criativas
para melhorar alguns processos em seus ambientes de trabalho....
Genteeee! Eu choro vendo uma coisa dessas!
Plantei uma sementinha em alguns
alunos! E essa foi, sem dúvida, a melhor coisa desses quase dois
meses de trabalho intenso! Vocês podem estar pensando: ah, ela
propôs uma auto-reflexão pra dizer que fez tudo certo? Eu respondo:
NADA DISSO, rs! Fiz muita coisa que preciso repensar sobre! Tenho
muito, mas muuuuuito mesmo a melhorar nessa nova “empreitada”!
Mas o fato de ter conseguido fazer os estudantes ampliarem um
pouquinho suas perspectivas de análise sobre suas próprias ações
supera todos os problemas pelos quais passei e me dá todo o gás
para o próximo semestre letivo. Entrar na vida de outras pessoas
(mesmo que pelo curto espaço de tempo de 60h/a) e dar aquela
chacoalhada existencial nelas é a melhor possibilidade que a
profissão de professor oferece, rs!
E para quem ler isso e achar que é
coisa de sonhador, e que não se muda nada assim: Um Só Lamento pra
você (essa foi uma das expressões de impacto que aprendi nessa nova
experiência em sala de aula, rsrsrsrs).
=D










