Finalmente
arrumei uns minutinhos para escrever sobre uma série que assisti há um tempo, e
que merece um texto só pra ela.
O
nome da série é Humans, lançada neste ano (pelo menos em termos cinematográficos,
2015 foi um ano interessante), e que surgiu na minha vida num dos posts
maravilhosos da Lady Sybylla. Como o tema é inteligência artificial, fiquei bem
instigada, fui lá conferir, e acabei gostando.
A
série se refere a um futuro não muito distante, no qual a mais nova sensação
são os Synths, robôs de
alta tecnologia, parecidos com seres humanos, que podem ser comprados para
servirem como verdadeiros escravos, seja trabalhando em serviços domésticos, servindo
como mão de obra em indústrias, ou até mesmo oferecendo serviços sexuais.
Joe, pai de uma família tradicional e suburbana,
resolve adquirir uma Synth, a qual ele chama de Anita. Isso porque ele não dá
conta de cuidar da casa e dos filhos enquanto sua esposa trabalha como advogada
e passa dias fora (desde o começo tive nojo do Joe, e isso foi se confirmando
com o passar dos episódios, mas não vou explorar minha impressão negativa sobre
ele, se não teria que abordar muitas coisas, e ele não é o foco).
Com o passar do tempo, a Anita vai apresentando
um comportamento estranho, ou melhor, um comportamento humano. Paralelo a estes
acontecimentos, vamos descobrindo que Anita (que na verdade se chama Mia), tem
uma história anterior à sua compra pela família de Joe. Isso porque Leo (que
não se sabe o que é exatamente da Mia) a procura junto a outros robôs que também
tem um comportamento humano. Aos poucos vamos descobrindo que só alguns Synths
são dotados de características humanas como a capacidade de sentir dor, alegria,
tristeza, raiva, amor, essas coisas todas. E que eles vivem em segredo.
A ideia de protótipos humanos, dotados de
inteligência artificial, apesar de um pouco batida, me parece sempre algo atual
e interessante por promover reflexões tanto sobre essas “criaturas”, quanto
sobre seus criadores. Já percebeu como criar um ser desses é um ideal
científico buscado desde que a ciência existe? E que com isso, a ciência nada
mais quer que se equiparar a Deus? E isso é muito louco! A ciência tenta se
afastar de Deus, criando suas próprias verdades, baseadas em fatos concretos e
não na fé, mas quer se equiparar a ele. Isso só reforça minha opinião de que a
ciência [pelo menos a tradicional] é tão dogmática quanto a religião. Vamo
mudar issaê, Brasil!
Mas toda essa busca por realizar algo tão
grandioso teria suas conseqüências (caso isso se realizasse, claro). E essas
histórias, desde Frankenstein, são ótimos exemplos sobre tais conseqüências.
Essas “criaturas” poderiam sentir um eterno vazio por não se sentirem “encaixadas”
entre os humanos. Poderiam se sentir seres inferiores, afinal, o ser humano
sempre se acha superior a tudo, não é mesmo? E isso poderia gerar a tão
famigerada revolução das máquinas contra os humanos. Motivos para se rebelar, os
robôs teriam de sobra! Acho até que eu estaria do lado dos robôs, lutando pelos
“direitos humanóides”, rs.
Bom, voltando à série, os personagens que compõem
o grupo de robôs que possuem “sentimentos” são bem diversificados. Cada um
deles possui uma personalidade marcante, apesar de serem bastante racionais e,
em certa medida, mecânicos, não sabendo lidar muito bem com suas emoções. A
Niska, por exemplo, é uma rebelde COM causa, e super desconfiada com a
humanidade, devido a tudo ao que já foi submetida. Max é um fofo, super otimista,
e acredita na bondade humana (eles são meus personagens favoritos <3). Fred
é forte e durão. Mia é cuidadosa e amorosa. Karen é solitária e desacredita na
bondade de qualquer ser (seja ser humano, seja robô).
Outro ponto bastante positivo da série é a
relação que os “robôs com sentimentos” constroem entre si, mas não vou falar
sobre isso se não vai rolar spoiler. A atuação dos atores que fazem os robôs é
outro ponto digno de respeito, em especial os personagens de Max e Odi. Odi é
um dos robôs, e tem uma relação de amizade bem bonita com o seu dono, um senhor
já velhinho, com a memória falha, que encheu meus olhos de lágrimas algumas
vezes.
Apesar dos vários pontos positivos, a série tem
alguns furos como, por exemplo, a atuação do cara que faz o Leo, que às vezes (quase
sempre) não me convence. Outras questões que ficam pairando no ar são como
danado a Karen conseguiu entrar para a polícia sendo um robô? O que os “robôs com
sentimentos” fizeram todos os anos anteriores, desde sua criação? Para onde a
Anita levou a Sofia no primeiro episódio?
Mas mesmo assim, ainda dou 4 estrelinhas para a
série =D
Este texto nasceu de um comentário de um colega. Claro que
este comentário foi “sem maldade”, que ele não teve a intenção de machucar
ninguém nem de gerar um grande debate, mas quando entramos no “modo desconstrução”
fica difícil não analisar criticamente tudo o que chega até nós. E acho isso ótimo,
pois nos proporciona exercícios reflexivos constantes, que nos ajudam a sermos
pessoas mais conscientes, a ofender cada vez menos pessoas ao nosso redor, e a
incluir os amiguinhos e as amiguinhas.
Estávamos eu, esse colega e outras pessoas conversando sobre
Sense 8, uma série da Netflix que gosto muito e que indico fortemente a todos e
todas. Comecei a assisti-la por causa do irmão e irmã Wachowski, e somente por
eles, não vou mentir. Os primeiros episódios não me prenderam tanto, pois eu
não estava entendendo nada, sou bem lentinha, rs. Mas quando a minha ficha
caiu, eu fiquei malucaaa!!!
A série é sobre oito pessoas (sensates) que vivem dramas
diferentes em lugares diferentes do planeta, e que se conectam umas com as
outras. Elas tem acesso às habilidades umas das outras, e também podem
conversar entre si, mesmo estando separadas geograficamente. E essa ideia de
pessoas conectadas ao redor do mundo é algo bem fascinante, não é mesmo? É algo
sobre o qual a gente se pega pensando em algum momento de nossas vidas... Tipo:
O que será que uma pessoa do outro planeta está fazendo neste momento em que
estou escrevendo este texto? Será que nosso cérebro teria essa capacidade de se
conectar com outras pessoas? Será que isso será possível um dia? Já tô tremendo
aqui!
A série tem cenas lindas, com diálogos riquíssimos entre os
personagens, e esta é outra coisa que me atraiu. Chorei em tantas cenas que nem
sei mais. A cena em que toca Mad World (com Nomi e Lito) é uma das que mais me
arrancou (e arranca) lágrimas T_T
Nessa série existe um casal composto por uma moça trans
(Nomi) e uma moça lésbica (Amanita, a eterna Martha Jones de Doctor Who <3)
e outro casal homossexual, composto por dois rapazes (Lito e Hernando). Durante
nossa conversa, ao comentarmos sobre as cenas de sexo da série, ficou claro que
meu colega não se incomodou com a cena entre Nomi e Amanita, mas sim com a de
Lito e Hernando. O motivo, segundo ele: O sexo entre as duas moças seria, em
tese, entre duas pessoas heterossexuais (porque a Nomi é uma mulher trans), o
que é mais fácil de aceitar do que o sexo entre dois homens.
Fiquei sem reação na hora (porque sou dessas pessoas que não
consegue dar uma resposta coerente na hora em que fica muito consternada com
algo), mas fiquei pensando sobre isso durante muitos dias. Fiquei pensando em como
é difícil desconstruir a heteronormatividade, dar visibilidade às pessoas trans
e às pessoas lésbicas. Afinal, para esse meu amigo heterossexual (e para
MILHARES de outras pessoas que pensam como ele), uma mulher trans sempre será,
em tese, um homem que mudou de gênero. E dizer isso é negar o gênero enquanto uma
construção muitas vezes dolorosa (como foi para a Nomi, e como é para tantas outras mulheres e homens); é negar a existência da Nomi enquanto
mulher; é negar a orientação sexual da Amanita (que ama outra mulher, logo, não
estava numa relação heterossexual, oras!). Além disso, o próprio "incômodo" dele em relação ao casal de homens é algo que fala muito sobre seus preconceitos internalizados. Por que sentir "nojo" de uma cena de amor entre duas pessoas? E por que especificamente numa cena de amor entre duas pessoas do mesmo sexo?
Como disse no início do texto, acho que o meu colega realmente
não quis machucar ninguém, mas é por reproduzir falas assim, sem pensar, que
acabamos ofendendo, machucando, marginalizando, excluindo. Mas acho que sempre
há uma salvação (sou otimista)! E essa salvação está bastante associada à
empatia. Ninguém nasceu pronto ou sabendo de tudo (a Clara Averbuck escreveu um
texto maravilhoso sobre isso no Lugar de Mulher, dia desses). Sempre podemos
evoluir, se quisermos. E dou meu exemplo, ainda falando sobre Sense 8:
Algo me incomodava no casal Lito e Hernando: O fato de Lito
não assumir que era gay e namorar o Hernando às escondidas. “Que covarde”,
pensava comigo. Mas aí fui conversar com outras pessoas sobre o assunto,
comecei a pensar mais um pouquinho e... EUREKA! Percebi como eu estava sendo
estúpida! Imagina a barra que é, para algumas pessoas, se assumir homossexual num
mundo cheio de preconceito e intolerância, no qual as pessoas te julgam, te
condenam, te consideram incapazes, porque você ama alguém do mesmo
sexo! É só pensar um pouquinho pra perceber que não é tão simples assim. Ou
melhor, é só se colocar no lugar do outro. É só ter empatia. E isso nos faz
crescer um tiquinho :)
Gostaria que meu colega percebesse isso. Mas sou tímida demais pra dizer tudo isso a ele. Vai esse texto mesmo, em forma de desabafo, pra vocês que aturam ler
o que escrevo =P
Distopia é um gênero fascinante, dentre outros motivos, por despertar em mim reflexões sobre a sociedade em que vivemos, as relações de poder nela existentes, a ordem social vigente... Viajo! E isso não é à toa. Distopias são feitas a partir do que há de “feio” no mundo, pra nos tirar da nossa zona de conforto e nos fazer pensar mesmo. Como diz a linda da Lady Sybylla (nesse texto aquihttp://www.momentumsaga.com/2014/07/o-que-e-distopia.html), as distopias são contrárias às utopias e são para incomodar, extrapolando ao máximo problemas atuais.
Como professora, vejo as distopias como ótimas ferramentas para promover reflexão em sala de aula. Lembro que uma distopia que me marcou bastante quando eu era aluna de graduação foi A Revolução dos Bichos, do George Orwell. Não li o livro propriamente, só assisti ao filme e li uma análise que associava o regime totalitário da história a realidades empresariais opressoras. Foi uma das portas de abertura para as pesquisas que tenho desenvolvido até hoje. Foi um grande divisor de águas na minha formação acadêmica e cidadã!
Mas quais as suas distopias favoritas, Elisabeth? Elenquei 5. A primeira é a primeira distopia que eu li na vida (há muuuuito tempo atrás, na época de escola), chamada Admirável Mundo Novo. Sim, foi por causa da Pitty, rs. E foi ao som de Admirável Chip Novo que comecei a gostar tanto desse estilo literário maravilindo.
O livro apresenta uma sociedade moldada unicamente por valores científicos-modernos, na qual os impulsos, desejos, crenças, ou qualquer outra manifestação da natureza humana/selvagem são erradicados. Nessa sociedade, John, nascido de um caso amoroso (o que vai totalmente de encontro às regras dessa sociedade), personifica o conflito entre o “primitivo” e o “moderno”. A história é uma crítica fantástica à racionalização e à consequente automatização do ser humano. E também às regras sociais que excluem aquilo e aqueles/as que não “se encaixam”.
Essa história mexeu tanto com minha cabeça – adolescente, na época - que terminei o livro chorando horrores, pra variar. Lembro que, na época, bateu um medo de toda essa glória que o ser humano enxerga na ciência e na racionalização da vida, e da possibilidade disso desembocar na perda de sentimentos que nos fazem verdadeiramente humanos. Fiquei apavorada, rs. Mais tarde, já na faculdade, descobri o Max Weber e sua crítica à racionalização instrumental e utilitária. Acho que essa distopia diz muito sobre minhas escolhas em termos de pesquisas acadêmicas (e essa ficha só caiu agora, escrevendo esse texto ^^)
A distopia que mais me incomodou foi Ensaio sobre a Cegueira, sem sombra de dúvida. E este incômodo me impediu de seguir até o final do filme e de ler o livro. Sei o que acontece no fim da história porque procurei saber posteriormente, através de textos e tal, mas não consegui terminar de assistir pelo simples fato de que fiquei atordoada, me sentindo mal mesmo.
A condição selvagem à qual o ser humano é exposto devido à falta de UM ÚNICO SENTIDO foi um soco no meu estômago, fazendo com que eu me atentasse para nossa fragilidade, nossa pequenez. Tudo aquilo que construímos enquanto seres sociais e que achamos que é essencial – como o casamento, por exemplo – fica em segundo plano quando nos vemos diante da exigência de saciar nossas necessidades básicas de fome, sede, sexo... Somos meros animais, no fim das contas. Isso vai bem ao encontro do que diz o Thomas Hobbes, de que o homem é o lobo do homem. E isso me inquieta porque é daquelas verdades que eu preferiria que fosse mentira. Queria que o Rousseau (que diz que o homem é bom, a sociedade o corrompe) ganhasse essa aposta =P
Assisti V de Vingança há 10 anos (MEU DEUS, QUANTO TEMPO!). Mas só li os quadrinhos há dois meses. Ele está na minha lista de distopias favoritas por vários motivos. Um desses motivos é o personagem principal, V (dãããã). V não é uma pessoa, na verdade. Ele/ Ela é uma idéia. Uma idéia libertária. E essa, pra mim, foi a sacada mais genial que um escritor poderia ter tido (na edição de 2012 da Panini Brasil, que tem todas as histórias reunidas, o Alan Moore conta as várias inspirações dele pra criação do/a personagem. Vale a pena dar uma conferida.).
V foge dos clichês comuns de super heróis, começando pelo fato de não ser homem ou mulher, o que já quebra um baita paradigma, e por ter um objetivo muito particular (principalmente em função do contexto distópico), que é vingar aquelas pessoas que são oprimidas, que tem sua liberdade e cidadania negadas, pelo simples fato de serem elas mesmas numa sociedade que dita regras excludentes e absurdas.
Esse contexto distópico em que V se insere é, à propósito, tão real, que às vezes me pergunto onde está a ficção na história. “Uma guerra” que utilizou pessoas que não se “encaixavam” nas normas sociais (mendigos, homossexuais...) como cobaias para os experimentos mais cruéis; uma sociedade em que crianças órfãs são submetidas ao trabalho escravo e à prostituição; em que jogos políticos determinam quem tem o poder de legislar sobre a vida de todos; em que as pessoas seguem um script... Seria mera coincidência? Eu acho que não!
Como não falar de Matrix, não é mesmo? A melhor distopia da 7ª arte do planeta! Com a melhor trilha sonora de distopias do universo! Com o casal hétero mais shippado da galáxia! Hahahaha! Amo muito esse filme. Mas só o primeiro mesmo. Acho que os irmãos sense8 perderam a mão nos outros dois. Mas é só uma impressão minha. O filme traz uma discussão filosófica maravilhosa, sobre estarmos vivendo o real ou não. Penso muito em Nietzsche quando começo a viajar nesse filme, quando ele fala sobre vivermos ilusões....
E mais uma vez caímos numa discussão sobre a evolução da ciência – que nesse caso, poderia levar a uma revolução das máquinas – não é verdade?
Afinal, o que é real? Tudo isso que criamos à nossa volta pra nos sentirmos mais “vivos” não seriam meras ilusões, meras distrações para nos manter afastados da realidade? Para que não encaremos o que, de fato, é real? Já que o que é real é doloroso e nos tiraria da nossa zona de conforto?
Mais uma vez me pego pensando em Ensaio sobre a Cegueira.... Será que, no final das contas, a realidade está associada ao que há de mais animalesco em nós? Será que os sentidos nos enganam? Como nos libertar de todas essas “enganações” a fim de “liberar nossa mente”? Esse filme suscita essas e tantas outras questões na minha cabecinha. E por isso eu o amo tanto (além de ter a Trinity, umas das minhas personagens femininas favoritas).
Outra distopia que eu AMO e quem me conhece sabe da minha PAIXÃO SEM LIMITES é Jogos Vorazes (*-----------------------*). Eu não sei nem explicar o que me fascina tanto nessa história. É meio que TUDO MESMO, rs.
Jovens que pertencem a comunidades periféricas à Capital são postos numa arena todos os anos para se matarem. Pode parecer algo distante da realidade, mas pensa ai em jovens que encaram a morte todos os dias nas periferias de todo o país. Essa realidade distópica nem é tão surreal assim, não é mesmo? Foi isso que me encantou de início, quando assisti o primeiro filme. Ai fui para os livros e, GENTE! A crítica à noção de centro X periferia é bem evidente. A ideia de como as relações de poder são muito mais complexas que a dicotomia dominante X dominado também é explorada de forma bem interessante (principalmente com a presidenta Coin). A crítica à comunicação de massa, alienante e manipuladora, também está presente na história o tempo todo. E nem vou falar sobre como a Katniss é uma personagem significativa para as discussões de gênero no universo literário pra não me alongar demais <3.
Bom, falei sobre essas 5 distopias que gosto e que mexeram bastante comigo, mas poderia recomendar muitas outras que são igualmente instigantes. The Walking Dead é um exemplo. Quase sempre choro com os episódios, nos quais os personagens vão se descobrindo e descobrindo um “admirável mundo novo” em meio ao apocalipse zumbi. Falei um pouco sobre essa série nesse texto aqui:http://elisabeth-santos.blogspot.com.br/2012/07/sobre-o-fim-dos-tempos.html. Laranja Mecânica é outra distopia que dá uma excelente reflexão sobre psicologia, behaviorismo, essas coisas. Também tem O Silo que, na verdade, é o primeiro livro de uma trilogia escrita por Hugh Howey. Não li a trilogia toda, mas gostei do primeiro (apesar de umas forçadas de barra que não me convenceram em alguns momentos), principalmente por ele trazer uma personagem feminina bem interessante como protagonista. Ainda tem Inteligência Artificial que é um dos meus filmes favoritos T_T. E 1984 está na minha estante como leitura obrigatória pós tese.
Não gosto muito de Divergente, nem do The 100 (série nova da netflix)... Mas as distopias que não gosto ficam para outro momentoJ
Todos vocês já imaginaram suas vidas como filmes muito loucos, ou só eu tenho essa mania? Acredito que todos nós, não é mesmo?
Mesmo que alguns acreditem num diretor todo poderoso e criativo que cria todas
essas histórias, ou que outros creiam que são, eles próprios, os diretores de seus “filmes-vida”,
todas essas histórias tem um começo, um meio, um fim, e são extremamente complexas. Dramas respeitáveis, merecedores de Oscar!
Já que estamos falando sobre filmes, todo filme que se preze é
embalado por uma trilha sonora bem bacana, neh assim que funciona? E eu adoro trilhas sonoras! Nossos
filmes-vida tem trilhas sonoras compostas por canções que falam
sobre nós, que embalam nossos melhores momentos, nos fazem bem, nos trazem lembranças (boas ou ruins)... são trilhas cheias de
histórias. E a minha trilha sonora não é diferente!
É nesse embalo que eu gostaria de compartilhar com
vocês a minha trilha sonora, que está no link abaixo. Ficaria bem feliz se vocês ouvissem:
Claro que não coloquei todas as músicas que gosto aqui. Tive que fazer um baita esforço para selecionar só algumas. Cada uma dessas músicas selecionadas tem um significado
especial, e vou tentar falar bem rapidinho sobre cada uma delas. Vou seguir a ordem da playlist, para que vocês possam ler o texto ouvindo as
minhas musiquinhas (que talvez sejam suas também) :)
Animal
Instinct(The Cranberries) – Minhas mãe e minhas irmãs mais velhas gostavam do The
Cranberries, e eu cresci assimilando esse gosto (como tantos outros, que outro
dia conto pra vocês em outro texto). Foi só no começo da faculdade, entretanto,
que comecei a ouvir mais a banda. Gosto da voz da Dolores O’Riordan, e as
letras são sempre lindas. Essa letra, em especial, me cativou desde o início. Ela fala sobre a relação entre mãe e filho e sobre como ela é cheia de altos e baixos, como todas as relações humanas. Li na
newsletter (maravilhosa) da (também maravilhosa) Aline Valek que a própria Dolores disse que escreveu essa música
depois de uma crise emocional quando teve seu primeiro filho. Depois que soube
disso, fiquei ainda mais encantada com essa música *-*
Mad World(Gary Jules) – Conheci essa música ouvindo a trilha sonora do
filme Donnie Darko (que é MARAVILHOSA, cheia de musiquinhas antigas e
deliciosas). O filme é uma viagem, do jeitinho que eu gosto, e a música faz jus
à história do filme, falando sobre pessoas solitárias e tristes num mundo louco
repleto de pessoas com rostos familiares que andam em círculos o.O
Acho essa
música linda, bem tristinha, no ponto certo. E imaginem minha surpresa ao ouvir
essa música no nono episódio de Sense8, numa cena com Lito e Nomi, no museu Diego Rivera! Uma das cenas que mais me arrancou lágrimas nos últimos tempos T_T
Fake
Plastic Trees (Radiohead) – Conheci essa música numa aula de
inglês, há muitos anos atrás, com meu professor, o Victor (um dos maiores fãs de
Radiohead que já conheci). Foi paixão à primeira vista, pela música, pelo
clipe, pelo Thom Yorke e sua cara de cachorrinho abandonado *-*. A música é
linda e fala sobre coisas, sentimentos e pessoas “fakes”, “de plástico”, e
também sobre uma realidade que, no fim, sempre desmascara essa falsidade toda. Ela é daquelas músicas
que toca a alma, e que SEMPRE me emociona. É a minha música favorita de todo o universo!
Vejam essa
campanha linda que usa a música como tema, e que sempre me deixa arrepiada:
Glory
Box (Portishead) – Também conheci Portishead nas aulas de inglês, há alguns anos atrás (é, gente... sempre achei música uma ótima ferramenta pra aprender inglês!). Gostei
da banda por achar o estilo bem diferente. A voz da cantora é linda e as
músicas tem uma pegada bem melancólica, bem suave... Pesquisando sobre a banda, descobri que esse estilo diferente deles tem
nome, e é trip hop, “música eletrônica em
downtempo (lenta), marcada por downbeats (batidas desaceleradas, menos de 120
bpm)”, segundo nosso queridíssimo Wikipedia. Acho que essa música retrata bem a
vibe da banda, assim como Roads (pra quem gostar e quiser ouvir mais). Além
disso, a letra fala sobre corações partidos: MELHOR TEMA EVER (adoro uma boa
sofrência)! “Give me a reasooon to loove youuuu” <3
Sweet
Disposition (The Temper Trap) – Conheci essa música num dos meus filmes
favoritos: 50 days of Summer. Se eu não me engano (quem puder conferir pra
tirar a dúvida, eu agradeço), essa música toca na cena em que o Tom (Joseph Gordon-Levitt, aquele fofo) percebe, depois de sofrer horrores com o
fim do relacionamento com a Summer (Zooey Deschanel, aquela linda!), que pode
sair daquela fossa, e recomeçar sua vida. E foi num momento semelhante a este
que essa música assumiu um papel importante no meu filme-vida: depois do
fim de um relacionamento conturbado. Por isso, sempre associo essa música a um recomeço. Ela
sempre é um estímulo, e me enche de uma disposição bem docinha :)
Temptation(New Order) – Conheci essa música na trilha sonora do filme As vantagens de ser invisível
(muitos corações pra esse filme que está devidamente favoritado lá no meu
perfil do filmow - http://filmow.com/usuario/elisabethcsantos). Fui atrás da
banda e descobri que ouvia muito as músicas de New Order quando mais nova, por influência das minhas irmãs mais velhas. Daí
comecei a ouvir mais e a gostar mais também. Gosto do clipe dessa música, e
minha irmã mais nova diz que eu pareço a atriz (não sei se pelo cabelo, pelo jeito dela, ou se ela tava me chamando de ladra) :3 É minha musiquinha pra começar o
dia feliz.
Just
Like Heaven (The Cure) – Essa é daquelas músicas que não sei
exatamente como entrou na minha vida. Nem conheço muito o The Cure, só as mais
conhecidas mesmo, mas gosto tanto dessa música... A letra me lembra romances, sabe? Aquelas que nos deixam com um friozinho bom no estômago. Uma
delicinha. “I'll run away with you... I'll run away
with you…”
Bros (Wolf Alice) – A banda que toca essa música foi uma indicação de um amigo, o Glauco. E que
indicação linda! O nome da banda é Wolf Alice, e acho que vocês TEM QUE OUVIR O
ÁLBUM, “My love is cool” AGORA MESMO!!! Adoro várias músicas do álbum, que tem
uma pegada das bandas punk de mil novecentos e bolinha. Mas, pra minha trilha
sonora não ficar cheia de músicas de uma banda só, escolhi Bros porque me lembra muito a demônia da minha irmã e
nosso relacionamento de uma vida toda. A música fala sobre essa “brodagem”
entre irmãos, e o clipe me arrancou boas lágrimas, me fazendo lembrar das coisas
boas que a gente só vive com essas criaturas. Assistam o clipe, PFV! Ele
é tão lindo <3
The
moon song(Karen O.) – Sou louquinha pela Karen O. desde que assisti Where the Wild Things Are, que amo de paixão. Amo
a trilha sonora desse filme! É daquelas que não enjoo de ouvir. Depois de conhecer
a Karen, e de vasculhar sua vida toda, conheci também o Yeah Yeah Yeahs, e
passei uma boa época da minha vida só ouvindo eles, rs. Também tem musiquinha
dela em Frankenweenie :3 Mas acho que a música que mais representa a fofura
dessa mulher é essa, principalmente por estar nesse filme lindíssimo que é Her.
Gente, não queria nem lembrar desse filme pra não começar a chorar, mas... tarde
demais:
Story
of a man (Tiago Iorc) – Acho que essa é uma das melhores músicas do Tiago Iorc.
A letra fala sobre vivermos tentando provar coisas às outras
pessoas, quando deveríamos passar mais tempo ouvindo, respeitando, vivendo, de fato. O
clipe é super simples, uma coisa linda, como tudo o que o Tiago faz:
L’autre
valse d’Amelie (Yann Tiersen) – Não poderia faltar Yann Tiersen com a
melhor trilha sonora do mundo do melhor filme de todos os tempos, neh? Rs. Amo a
trilha sonora toda, mas escolhi essa música porque acho que ela representa bem
o espírito do filme. Amélie Poulain é um filme sobre a simplicidade, e sobre
como as coisas mais simples são tão mais lindas, sinceras e verdadeiras. É por
causa disso que esse filme é tão leve, tão gostoso, e faz o tempo passar de
forma quase imperceptível. Além disso, o filme tem uma fotografia linda, e
atores fosíssimos (preciso nem dizer que sou fã da Audrey Tautou, neh?). Já me
disseram muitas vezes que esse filme é a
minha cara, e faço questão de acreditar, hahaha! *-*
Yellow (Coldplay) – Essa música me lembra uma época feliz em que eu fui bolsista na
faculdade. Nessa época, eu e meus amigos, também bolsistas, resolvemos estudar
inglês juntos usando músicas. Essa foi uma das músicas escolhidas, e que ficou
guardadinha na minha memória. Também me chamavam de amarela e associaram essa
música a mim (mais especificamente uma pessoinha chamada Keith e que é linda,
diga-se de passagem). Além dessas boas lembranças que essa música me traz, acho
a simplicidade do clipe uma coisa linda.
There is a light that never goes out (The Smiths)– Lembram que no orkut tinha um espaço para você
descrever um encontro ideal? Pois bem. No meu perfil, meu encontro ideal era a
letra dessa música. Que brega, hein? Essa música também está na trilha sonora
de 50 days of Summer, na cena que Tom e Summer se falam pela primeira vez, no
elevador. Não consigo cantá-la sem imaginar a vozinha da Summer
“To die by your side, is such a heavenly way to die” <3
The
melody of a fallen tree (Windsor for the derby)
– Descobri essa lindeza na trilha sonora do filme Maria Antonieta. Gosto da
melodia. Ela costuma embalar minhas viagens. A letra é levinha e fala sobre
coisas boas que não conseguimos enxergar, e que estão nas coisas mais simples
(no mar, debaixo das folhas....).
The
suburbs (Arcade fire)
– Mais uma vez o Spike Jonze atacou meu
coraçãozinho mole. Na época em que saiu o clipe dessa música, assinado por ele, eu
me apaixonei instantaneamente. O clipe é lindo, e a música é super gostosinha
de ouvir. Ela sempre me fez pensar em como nos achamos invencíveis quando somos
jovens... doce ilusão.
Dreams(The Cranberries) – Essa música
marcou um momento de grandes mudanças na minha vida: minha saída da casa dos
meus pais, meu primeiro trabalho, os romancinhos bobos da faculdade, essas
coisinhas que vão “moldando” a gente. Foi minha música de perfil do Orkut por
muito tempo, rs. Sdds Orkut <3
Kiss(Mélanie Laurent) – quem canta essa
música é uma das mulheres mais lindas que já vi na face da terra. O nome dela é Mélanie Laurent,
e a conheci no filme Bastardos Inglórios (é a Shoshana, gentein! <3). Na
época em que assisti esse filme, eu tinha um amigo, o Rodrigo, que também era
louco por ela (e pelos filmes do Tarantino). Aí ele descobriu que ela também é
cantora, e me mandou um clipe. Não foi o clipe dessa música, mas foi o suficiente
pr’eu baixar o álbum dela e ouvir por dias e dias (o nome do álbum é En t’attendant,
pra quem gostar da música e ficar com gostinho de quero mais). Acho que essa é
a música mais legal do álbum, e o clipe mais lindinho também. Fica a dica pra
vocês darem uma conferida no trabalho dela como cantora, e como atriz também, caso
ainda não conheçam.
Something (The Beatles) - Essa música marcou um momento lindo, em que conheci uma pessoa linda, por quem sou apaixonada até hoje. Basta dizer isso sobre ela :) Só depois de colocar a maioria das músicas nessa
playlist, me dei conta que elas são todas internacionais ^^ Na próxima vez, faço
uma playlist de musiquinhas que marcaram minha vida só com artistas nacionais
:D
Já faz um tempo que assisti à série Demolidor, produzida
pela Netflix (que, vou te falar, tá arrebentando no quesito séries, viu?).
Fiquei com vontade de escrever algo sobre a série do ponto de vista de alguém
que não está inserida no universo dos quadrinhos, que não é tão fã assim de
super heróis (exceto quando estou assistindo com meu sobrinho de 8 anos), e que
não entende nadica de cinema (só sei sentir, rs). Na época do ~furor da série, uma
moça escreveu mais ou menos algo nesse sentido, ai eu fiquei tímida. Mas uma
conversa recente com um amigo me incentivou a escrever algumas linhas, só pra
destacar porque gostei da série, e porque recomendo a quem, como eu, não
entende muito desse universo nerd. Vou elencar alguns pontos que tornam a série
bem legal de se assistir. Sintam-se a vontade para discordar:
1-O personagem em si. O Demolidor foge do senso
comum nessas histórias de super heróis começando pelo personagem, que é deficiente
visual. Isso torna o personagem muito mais complexo, e sua construção bem mais
desafiadora. Quantas vezes vemos super heróis deficientes nessas histórias que
vão para as telinhas (alcançando um número maior de consumidores do que nos
quadrinhos)? Só consigo lembrar do professor Xavier. Trazer pessoas deficientes
para o centro desse tipo de história é algo bem bacana, e tem a ver com algo
que tem sido muito discutido atualmente, que é a representatividade.
Representar deficientes (e mulheres, e negrxs, e gays, e trans) como
personagens principais, complexos, com os quais nos identificamos, é um ganho
significativo para as telinhas, que na sua graaande maioria só trazem homens
brancos, não deficientes e héteros para o centro das atenções. Além disso, a
inclusão se torna necessária por conseqüência. Por ser uma história sobre uma
pessoa cega, a Netflix disponibilizou o recurso de narração descritiva para as
pessoas que são deficientes visuais acompanharem a série *-----------------* Coisa
linda de se ver!
2-O ator escolhido (vou nomeá-lo “o carinha de
Stardust” porque não sei o nome dele, mas só consigo lembrar dele nesse filme).
Além de ter um sorriso lindo (só perde pro sorriso do meu boy magia), ele
estudou muito bem o personagem. Até acredito que ele é cego, às vezes (importante ressaltar que eu acredito em qualquer coisa, migas).
3-O tom dark. O Demolidor é deficiente visual, seu
mundo é escuro, e isso dá um tom dark à série, o que eu acho esteticamente
muito atrativo! As luzes verdes e vermelhas, os ambientes escuros, tudo isso
deixa a série mais bonita, o clima mais sombrio, e nos aproxima da forma de ver o mundo do Matt. I like this!
4-Fisk. Não é de hoje que gosto mais dos vilões e
vilãs. Por pouco não gosto mais do Fisk que do Matt. Os vilões e vilãs
geralmente são mais humanos, sofrem vários dilemas, agem por impulso, são vida
loka, carregam consigo histórias dolorosas, não são certinhos. Como não se
identificar com elxs?!?! <3 É o caso do Loki. Tenho uma afeição por aquele
irmão do mal que não consigo descrever! Nunca achei graça no Thor. O Loki
sempre rouba as atenções com aquele temperamento maluco. Sinto até pena dele...
MAS VOLTANDO, o fato é que cheguei a torcer pelo Fisk algumas vezes, não vou
mentir. Mesmo sentindo muito medo dele. O cara é, de fato, o Rei do Crime. Acho
que acertaram na escolha do ator (apesar de não conhecer os quadrinhos, sinto
que o ator conseguiu representar bem a cabeça perturbada do Fisk).
5-Vanessa. Sempre tento analisar as personagens
femininas nas histórias de ficção. Neste caso, cheguei à conclusão que, apesar
da Vanessa não ser protagonista e assumir um papel secundário, e de não
explorarem a história dela (uma pena), a bicha lacra, viu? Não sei o que ela
realmente sente pelo Fisk (acho que ela o ama de verdade), mas ela é uma vilã
que me conquistou facinho. Ela é racional, mantém a calma quando o Fisk ta lá
explodindo, e me pareceu uma ótima estrategista. Sem contar que ela é linda,
culta, e tem muita “presença” (ela nem usa super jóias, super penteados, é super
simples. Tô apaixonada por ela, gente!).
Meu boy, que entende do universo nerd e
tal, me disse que o Demolidor ainda está aquém das suas super habilidades nessa
série, comparado à sua performance nos quadrinhos. Mas eu entendo que essa
primeira temporada foi só uma apresentação para a segunda, mostrando a evolução
do personagem, o que dá um caráter mais real à coisa toda.
Fui católica boa parte da minha vida, graças a meus pais. Minha
infância foi marcada por váaaarias atividades relacionadas ao catolicismo, como
frequentar a missa todos os domingos, rezar o terço frequentemente, participar
das festividades relacionadas aos dias de vários santos, participar de grupos
de liturgia, de eventos direcionados aos jovens, desenvolver trabalho
voluntário em pastorais etc. Apesar de católica, sempre fui muito aberta a
outras crenças, e cheguei a frequentar cultos evangélicos com meus amigos e
amigas, a cantar seus hinos, e a ler a literatura espírita, da qual gosto até
hoje. Na minha cabeça, todas aquelas manifestações eram para um mesmo Deus (ou
Deusa), que pregava o amor acima de tudo. Esse envolvimento todo aconteceu até
a adolescência, quando me afastei da cidade onde cresci, fui estudar em outros
locais, e comecei a me questionar sobre o verdadeiro sentido daquilo tudo.
Depois de muita reflexão, tomei certas conclusões e decisões que me afastaram
definitivamente de qualquer religião, mas não é sobre essas decisões que quero
discutir aqui.
Como boa católica, sempre tive contato com a história de
Jesus. Mas a história dele nunca me inspirou alegria. Pelo contrário, a
história de Jesus sempre me fez chorar de tristeza. Até hoje, não tenho muito
estômago para assistir espetáculos como o da Paixão de Cristo, ou assistir filmes
que contam a história dele. Ela me comove de uma forma que não consigo não
chorar como uma criancinha, e sempre fico com um peso enorme no peito.
Pobre e negro (apesar de retratarem Jesus como branco e de
olhos azuiszzzzzzzz), desde seu nascimento Jesus foi excluído pela sociedade
onde vivia, não tendo direito nem a um nascimento seguro. Ele pregava o amor, a
servidão, a igualdade entre as pessoas, e foi perseguido e brutalmente assassinado
em função disso, por pessoas que se viam como justas, que acreditavam que
podiam ter privilégios sobre as outras, pessoas que não conseguiam ver além da
sua própria verdade, e que eram capazes de matar para garantir que sua verdade
fosse mantida e seguida.
Ai vocês podem até dizer: Mas Elisabeth, a história dele é
linda, ele morreu pelo que acreditava, ele morreu por nós, ele ressuscitou... Ok,
gente. Entendo que vocês tentam ver o lado bom das coisas. Mas eu nunca
consegui tirar o foco da brutalidade a qual Jesus foi submetido. Isso me choca
até hoje. Mas não me choca só porque é uma história triste que aconteceu no
passado, mas porque é algo que vejo TODOS OS DIAS AINDA HOJE.
Sabe aquele cara que mora na favela e que tenta sobreviver e sustentar
sua família a cada dia em meio à violência, a uma sociedade que não acredita no
seu potencial, que não lhe dá oportunidades, que não lhe dá o direito de viver
dignamente? Ele vive um pouco do que Jesus viveu. Sabe aquele morador de rua
que morreu queimado, as milhares de mulheres que foram e são assassinadas pelos
respectivos companheiros ou por qualquer outro homem que se acha no direito,
aquele menino gay (e tantos outros) que foi morto por sua orientação sexual,
aquela pessoa transexual que foi morta por ser quem é, e tanta gente que morre
um pouquinho a cada dia vítima da intolerância, do preconceito, dos “donos da
moral e dos bons costumes”? Eles foram Jesus por algum momento. Eles e elas sofreram e
sofrem da mesma injustiça e brutalidade que Jesus sofreu por ser pobre e por
querer um mundo mais justo, mais igual.
Elxs podem não ter sido crucificados, porque abandonamos a
crucificação como penalidade, mas os mecanismos são outros e diversos. São até mesmo
simbólicos, sutis. As pessoas ainda se apegam tanto a uma verdade que são
capazes de esquecer de valores como servidão, bondade, amor, e são cruéis, excluindo,
não garantindo direitos básicos, se achando no direito de definir quem deve
morrer e quem deve viver. Isso soa tão absurdo pra mim, que fico cada dia mais
triste com a capacidade humana de ser cruel com o próximo.
Ai eu vejo uma moça, transexual, que usa a história de Jesus
para representar o sofrimento que as pessoas transsexuais sofrem por quererem
ser tratadas como iguais, por quererem simplesmente não correr o risco de serem
mortas por serem quem são. Não vejo história melhor que a de Jesus para representar essa
injustiça que transexuais (e negros, pobres, mulheres etc. etc.) sofrem em função do
preconceito. A história de Jesus representa o amor sendo assassinado pela intolerância,
e isso ficou muito claro na parada gay, com a performance que a moça fez.
Talvez tenha sido fácil para mim fazer essa interpretação,
uma vez que, apesar de não ser religiosa, sempre tive contato com várias
religiões, principalmente ao começar a me dedicar aos estudos culturais. Pode
até ser... O fato é que as pessoas se fecharam em suas verdades absolutas, e estão
criticando, desvalorizando, e se sentindo ofendidas com performance da moça na
parada gay. E isso pode estar acontecendo por vários motivos, seja por
intolerância religiosa, por intolerância de gênero, ou por simples falta de
reflexão sobre o caso (e para o meu pesar, acho que é esta última que está
acontecendo, principalmente no meu círculo de amigxs).
No sentido de tentar ajudar a quem está tendo dificuldade em
refletir sobre o caso, lanço algumas questões, que talvez ajudem: Se você acha
que a performance da moça numa cruz, representando Jesus Cristo, é um
desrespeito, por que você acha isso desrespeitoso? É porque é uma transex? É
porque aconteceu na parada gay? É porque não se pode fazer referência a Jesus
em outro lugar que não seja a igreja?
Para mim, todas essas possíveis respostas acabam caindo num
campo perigoso, o da intolerância e exclusão: Se o problema são as transex e o
movimento gay, existe uma grande probabilidade da pessoa ser preconceituosa em
relação a elxs. Se o problema é a referência a Jesus (que foi totalmente
contextualizada e problematizada neste caso), quer dizer que só algumas pessoas
podem fazer referência a ele (como a mídia sensacionalista em propagandas, ou
com ídolos do futebol protagonizando Jesus)? Será que você não está sendo
seletivo ao achar “de boa” alguns falarem de Jesus, mas achar errado que outras
pessoas se sintam representadas pela história dele? Será que o problema foi a
performance da moça, ou é seu preconceito?
Eu, particularmente, acredito que não houve deboche ou agressão
a um símbolo religioso. Pelo contrário! O símbolo de Jesus crucificado foi
usado a favor do combate a algo que fere nossa sociedade, nomeadamente, o
preconceito! Ele foi usado para mostrar que, ainda hoje, muita gente sofre pelo
mesmo motivo que Jesus sofreu, e que isso é ABSURDO!
Acho, inclusive, que usar esses símbolos religiosos,
particularmente o símbolo de uma religião dominante historicamente, é
importantíssimo! Eles dão maior representatividade à causa, levam a uma
reflexão mais profunda, nos fazem questionar sobre uma série de coisas –
inclusive sobre de que lado Deus está! Acho essa uma reflexão super bacana, e
que agrega religiosos e não religiosos. Particularmente, tenho plena convicção
que Deus está do lado das minorias, dos excluídos, e daqueles privilegiados que
estão preocupados em fazer do mundo um lugar melhor.
Quem sabe Jesus reencarnou em alguém que está a margem da
sociedade, e nem nos demos conta? =P
“Caras, cabou Doctor
Who.... O que fazer da minha vida agora???” Este seria meu tweet da noite. Mas
essa série é tão fantasticamente maravilhosa (e eu sou tão prolixa), que não
rolou me limitar aos 140 caracteres... preciso de mais espaço!
Comecei a assistir Doctor Who beeem tarde. Mais precisamente no segundo semestre de
2014, semestre um tanto solitário e perturbador, no qual precisei urgentemente
de rotas de fuga para manter minha sanidade mental. Meu estímulo foi minha
mamis e seu lado nerd. Ela adora o “Are you my mommy?” e o “Don’t Blink!”. De
vez em quando conversava comigo sobre os episódios dos quais gosta, e eu ficava
boiando. Ai resolvi me inteirar sobre a série para termos mais assunto. Comecei
a perceber que assistia episódios soltos dessa série quando mais nova, e que eu
gostava, pois fiquei com aquela sensação de nostalgia assistindo o início da primeira temporada. Ia ver só alguns episódios, só pra
entender o contexto... quando me dei conta, já tinha terminado a primeira temporada
em menos de uma semana e estava louca pelas próximas (acreditem, isso é muito difícil de acontecer comigo, pois não tenho muito saco pra séries)!
Os cerca de 50 minutos de cada episódio me instigavam e voavam! Ficava em
êxtase a cada explicação sobre tempo-espaço, sobre a ocorrência maluca
dos fatos, e sobre a amizade daqueles dois loucos desbravadores de universos!
Acho que não tem como uma pessoa que gosta de ciência não gamar na série. São
muitas especulações sobre o nosso futuro, sobre o ser humano e seu
relacionamento com outras formas vivas e não-vivas, e especulações muitas
vezes factíveis, que nos deixam com aquela sensação de “cara, preciso viver pra
ver isso acontecer”!
Ai acabou a primeira temporada... “NÃÃÃOOO!!! Ele se regeneraaaaaaa!!!” (sim,
até o fim da primeira temporada, eu não sabia nadica sobre a série. Acho legal
assistir as coisas sem expectativas. Geralmente me surpreendo, e foi o que
aconteceu nesse caso. Só comecei a catar tudo quanto é informação sobre a série
quando já estava perdidamente apaixonada). Achei que iria odiar o novo Doctor.
Achei que tudo ia perder o sentido na minha vida. Achei que nunca iria haver um
Doctor mais legal que o Christopher Eccleston e aquele nariz estranho. Bem,
errei feio, errei rude! David Tennant me conquistou tão rápido com aquele All Star e aqueleWibbly Wobbly Timey Wimeyque quis casar com ele! Allons-y,
Alonso!
Achei que ele e Rose Tyler
formaram uma dupla bacana. Gostava dos dois juntos, até começar a achar a Rose
chata por querer ter envolvimento romântico com ele. QUALÉ?!?! Ele é um Time
Lord!!! E comecei a achar que estavam subestimando a inteligência dela nos
episódios... achei até um pouco legal ela ter ido parar em outra dimensão
(claro que uma parte de mim chorou nesse episódio). Mas isso foi resolvido quando
a Martha chegou! Ela era inteligente e destemida. Gostava dela! Até perceber
que ela também tava de mimimi romântico com o DoctorZzzzzzz.... Mas uma coisa
me surpreendeu nela: quando ela resolveu deixar o Doctor e ir viver sua própria
vida. Ela se mostrou bem
independente, e depois disso (e de ter conhecido o universo e suas infinitas
possibilidades – SÓ!) a besha passou a arrasar!
Mas a primeira companion
com quem me identifiquei em vários momentos foi a Donna Nable! Ela não levava
desaforo pra casa! Respondia as provocações do Doctor, e de forma tão
inteligente quanto ele. Ria horrores com eles dois discutindo, rs! E eles eram
unha e carne, era uma amizade bonita e verdadeira! Além disso, ela foi Doctor-Donna
pra salvar o verdadeiro Doctor e, consequentemente, o mundo =O Admiro aquela
ruiva! Em alguns poucos momentos achei que ela foi subestimada... mas foram
poucos.
Ai veio aquele final triste da quarta temporada T_T
Todo mundo foi embora... a Rose voltou lá para a outra dimensão (com um Doctor
só pra ela, matando milhares e milhares de pessoas de inveja, inclusive euzinha aki). Donna saiu de
cena (esquecida de tudo, coitada! Foi o pior de tudo nesse final de temporada).
Martha também voltou proTorchwood (lacrou)...O Doctor ficou sozinho. Chorei feito um chafariz nesse
episódio.... Ai começou a quinta temporada com aquele queixudo esquisito.
Não foi fácil gostar do Matt. Nem da Amy. Tava achando tudo meio forçado
no início (chatice de fã eterna do Tennant como Doctor, eu acho). Só da metade
pro final da quinta temporada comecei a gostar dele. E como! Apesar de ainda
preferir o Tennant, Matt era excêntrico e esquisitão e tinha aquela ingenuidade
bem característica do Christopher Eccleston como Doctor *-*. Da Amy mesmo, só
fui gostar mais na sexta temporada. Mas me apaixonei por ela. Acho que a
amizade deles foi a mais bonita de todas. Amy admirava o Doctor, mas não queria
ficar de mimimi romântico com ele. Era “braba”, muito bem resolvida e inteligentíssima.
A garota que esperou. Me identifiquei mais com ela do que com a Donna.
Adorava o romance dela com Rory, aquele fofenho. Os especiais de natal
com o Matt foram, sem dúvidas, OS MELHORES DA VIDA! Super comoventes (leia-se
“chorei em todos”). E a “River-Pond” “Melody-Song”? Que mulher! Melhor mulher!
(Ela sim pode ter romancinho com o Doctor!).
Ai cabou a era do 11º Doctor e veio o 12º... vou te dizer: chorei feito bebê no
primeiro episódio da oitava temporada. Senti o Doctor tão vulnerável que tive vontade de pegá-lo no colo e dizer “tudo vai ficar bem, você é o
último dos Senhores do Tempo, o melhor, o fodão” (como se fosse possível algum tipo de contato carinhoso com aquele chato, rs!). O episódio “Listen” ajudou
a dar essa “humanizada" nele. Gosto da Clara. Acho ela bem sagaz, impossible! Além disso, ela tem uma longa história com o Doctor, tendo salvado sua vida desde
sempre (só por isso, já devemos muito a ela!). Não gostei taaanto do “Educação
Física”, rs. Pra mim, essa oitava temporada foi a menos sensacional de todas, mas ainda assim foi ótima, afinal, é o Doctor Who! O especial de natal não chegou a
ser tão bom quanto os da quinta, sexta e sétima temporadas, mas teve seus
pontos fortes como oYIPPEE YAH YAYYYY=3
Bem,acho que ta meio tarde pra recomendar essa série, afinal, ela é um
clássico, e eu cheguei tarde. Mas, pra quem ainda não conhece (como a minha
irmã), recomendo! E, principalmente, pra quem curte ciência e ficção, acho que
Doctor Who é a melhor pedida! E se, um dia, houver a possibilidade do Doctor se
regenerar em forma de mulher, meu coração será todinho dessa série sem mais
<3