sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Humans

Finalmente arrumei uns minutinhos para escrever sobre uma série que assisti há um tempo, e que merece um texto só pra ela.
O nome da série é Humans, lançada neste ano (pelo menos em termos cinematográficos, 2015 foi um ano interessante), e que surgiu na minha vida num dos posts maravilhosos da Lady Sybylla. Como o tema é inteligência artificial, fiquei bem instigada, fui lá conferir, e acabei gostando.
A série se refere a um futuro não muito distante, no qual a mais nova sensação são os Synths, robôs de alta tecnologia, parecidos com seres humanos, que podem ser comprados para servirem como verdadeiros escravos, seja trabalhando em serviços domésticos, servindo como mão de obra em indústrias, ou até mesmo oferecendo serviços sexuais.
Joe, pai de uma família tradicional e suburbana, resolve adquirir uma Synth, a qual ele chama de Anita. Isso porque ele não dá conta de cuidar da casa e dos filhos enquanto sua esposa trabalha como advogada e passa dias fora (desde o começo tive nojo do Joe, e isso foi se confirmando com o passar dos episódios, mas não vou explorar minha impressão negativa sobre ele, se não teria que abordar muitas coisas, e ele não é o foco).
Com o passar do tempo, a Anita vai apresentando um comportamento estranho, ou melhor, um comportamento humano. Paralelo a estes acontecimentos, vamos descobrindo que Anita (que na verdade se chama Mia), tem uma história anterior à sua compra pela família de Joe. Isso porque Leo (que não se sabe o que é exatamente da Mia) a procura junto a outros robôs que também tem um comportamento humano. Aos poucos vamos descobrindo que só alguns Synths são dotados de características humanas como a capacidade de sentir dor, alegria, tristeza, raiva, amor, essas coisas todas. E que eles vivem em segredo.
A ideia de protótipos humanos, dotados de inteligência artificial, apesar de um pouco batida, me parece sempre algo atual e interessante por promover reflexões tanto sobre essas “criaturas”, quanto sobre seus criadores. Já percebeu como criar um ser desses é um ideal científico buscado desde que a ciência existe? E que com isso, a ciência nada mais quer que se equiparar a Deus? E isso é muito louco! A ciência tenta se afastar de Deus, criando suas próprias verdades, baseadas em fatos concretos e não na fé, mas quer se equiparar a ele. Isso só reforça minha opinião de que a ciência [pelo menos a tradicional] é tão dogmática quanto a religião. Vamo mudar issaê, Brasil!
Mas toda essa busca por realizar algo tão grandioso teria suas conseqüências (caso isso se realizasse, claro). E essas histórias, desde Frankenstein, são ótimos exemplos sobre tais conseqüências. Essas “criaturas” poderiam sentir um eterno vazio por não se sentirem “encaixadas” entre os humanos. Poderiam se sentir seres inferiores, afinal, o ser humano sempre se acha superior a tudo, não é mesmo? E isso poderia gerar a tão famigerada revolução das máquinas contra os humanos. Motivos para se rebelar, os robôs teriam de sobra! Acho até que eu estaria do lado dos robôs, lutando pelos “direitos humanóides”, rs.
Bom, voltando à série, os personagens que compõem o grupo de robôs que possuem “sentimentos” são bem diversificados. Cada um deles possui uma personalidade marcante, apesar de serem bastante racionais e, em certa medida, mecânicos, não sabendo lidar muito bem com suas emoções. A Niska, por exemplo, é uma rebelde COM causa, e super desconfiada com a humanidade, devido a tudo ao que já foi submetida. Max é um fofo, super otimista, e acredita na bondade humana (eles são meus personagens favoritos <3). Fred é forte e durão. Mia é cuidadosa e amorosa. Karen é solitária e desacredita na bondade de qualquer ser (seja ser humano, seja robô).
Outro ponto bastante positivo da série é a relação que os “robôs com sentimentos” constroem entre si, mas não vou falar sobre isso se não vai rolar spoiler. A atuação dos atores que fazem os robôs é outro ponto digno de respeito, em especial os personagens de Max e Odi. Odi é um dos robôs, e tem uma relação de amizade bem bonita com o seu dono, um senhor já velhinho, com a memória falha, que encheu meus olhos de lágrimas algumas vezes.
Apesar dos vários pontos positivos, a série tem alguns furos como, por exemplo, a atuação do cara que faz o Leo, que às vezes (quase sempre) não me convence. Outras questões que ficam pairando no ar são como danado a Karen conseguiu entrar para a polícia sendo um robô? O que os “robôs com sentimentos” fizeram todos os anos anteriores, desde sua criação? Para onde a Anita levou a Sofia no primeiro episódio?
Mas mesmo assim, ainda dou 4 estrelinhas para a série =D
Bjinhos e até mais!


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Sense 8, visibilidade trans e lésbica e empatia

Este texto nasceu de um comentário de um colega. Claro que este comentário foi “sem maldade”, que ele não teve a intenção de machucar ninguém nem de gerar um grande debate, mas quando entramos no “modo desconstrução” fica difícil não analisar criticamente tudo o que chega até nós. E acho isso ótimo, pois nos proporciona exercícios reflexivos constantes, que nos ajudam a sermos pessoas mais conscientes, a ofender cada vez menos pessoas ao nosso redor, e a incluir os amiguinhos e as amiguinhas.

Estávamos eu, esse colega e outras pessoas conversando sobre Sense 8, uma série da Netflix que gosto muito e que indico fortemente a todos e todas. Comecei a assisti-la por causa do irmão e irmã Wachowski, e somente por eles, não vou mentir. Os primeiros episódios não me prenderam tanto, pois eu não estava entendendo nada, sou bem lentinha, rs. Mas quando a minha ficha caiu, eu fiquei malucaaa!!!

A série é sobre oito pessoas (sensates) que vivem dramas diferentes em lugares diferentes do planeta, e que se conectam umas com as outras. Elas tem acesso às habilidades umas das outras, e também podem conversar entre si, mesmo estando separadas geograficamente. E essa ideia de pessoas conectadas ao redor do mundo é algo bem fascinante, não é mesmo? É algo sobre o qual a gente se pega pensando em algum momento de nossas vidas... Tipo: O que será que uma pessoa do outro planeta está fazendo neste momento em que estou escrevendo este texto? Será que nosso cérebro teria essa capacidade de se conectar com outras pessoas? Será que isso será possível um dia? Já tô tremendo aqui!

A série tem cenas lindas, com diálogos riquíssimos entre os personagens, e esta é outra coisa que me atraiu. Chorei em tantas cenas que nem sei mais. A cena em que toca Mad World (com Nomi e Lito) é uma das que mais me arrancou (e arranca) lágrimas T_T

Nessa série existe um casal composto por uma moça trans (Nomi) e uma moça lésbica (Amanita, a eterna Martha Jones de Doctor Who <3) e outro casal homossexual, composto por dois rapazes (Lito e Hernando). Durante nossa conversa, ao comentarmos sobre as cenas de sexo da série, ficou claro que meu colega não se incomodou com a cena entre Nomi e Amanita, mas sim com a de Lito e Hernando. O motivo, segundo ele: O sexo entre as duas moças seria, em tese, entre duas pessoas heterossexuais (porque a Nomi é uma mulher trans), o que é mais fácil de aceitar do que o sexo entre dois homens.

Fiquei sem reação na hora (porque sou dessas pessoas que não consegue dar uma resposta coerente na hora em que fica muito consternada com algo), mas fiquei pensando sobre isso durante muitos dias. Fiquei pensando em como é difícil desconstruir a heteronormatividade, dar visibilidade às pessoas trans e às pessoas lésbicas. Afinal, para esse meu amigo heterossexual (e para MILHARES de outras pessoas que pensam como ele), uma mulher trans sempre será, em tese, um homem que mudou de gênero. E dizer isso é negar o gênero enquanto uma construção muitas vezes dolorosa (como foi para a Nomi, e como é para tantas outras mulheres e homens); é negar a existência da Nomi enquanto mulher; é negar a orientação sexual da Amanita (que ama outra mulher, logo, não estava numa relação heterossexual, oras!).

Além disso, o próprio "incômodo" dele em relação ao casal de homens é algo que fala muito sobre seus preconceitos internalizados. Por que sentir "nojo" de uma cena de amor entre duas pessoas? E por que especificamente numa cena de amor entre duas pessoas do mesmo sexo? 

Como disse no início do texto, acho que o meu colega realmente não quis machucar ninguém, mas é por reproduzir falas assim, sem pensar, que acabamos ofendendo, machucando, marginalizando, excluindo. Mas acho que sempre há uma salvação (sou otimista)! E essa salvação está bastante associada à empatia. Ninguém nasceu pronto ou sabendo de tudo (a Clara Averbuck escreveu um texto maravilhoso sobre isso no Lugar de Mulher, dia desses). Sempre podemos evoluir, se quisermos. E dou meu exemplo, ainda falando sobre Sense 8:

Algo me incomodava no casal Lito e Hernando: O fato de Lito não assumir que era gay e namorar o Hernando às escondidas. “Que covarde”, pensava comigo. Mas aí fui conversar com outras pessoas sobre o assunto, comecei a pensar mais um pouquinho e... EUREKA! Percebi como eu estava sendo estúpida! Imagina a barra que é, para algumas pessoas, se assumir homossexual num mundo cheio de preconceito e intolerância, no qual as pessoas te julgam, te condenam, te consideram incapazes, porque você ama alguém do mesmo sexo! É só pensar um pouquinho pra perceber que não é tão simples assim. Ou melhor, é só se colocar no lugar do outro. É só ter empatia. E isso nos faz crescer um tiquinho :)

Gostaria que meu colega percebesse isso. Mas sou tímida demais pra dizer tudo isso a ele. Vai esse texto mesmo, em forma de desabafo, pra vocês que aturam ler o que escrevo =P

Bjks!



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Minhas distopias favoritas

Distopia é um gênero fascinante, dentre outros motivos, por despertar em mim reflexões sobre a sociedade em que vivemos, as relações de poder nela existentes, a ordem social vigente... Viajo! E isso não é à toa. Distopias são feitas a partir do que há de “feio” no mundo, pra nos tirar da nossa zona de conforto e nos fazer pensar mesmo. Como diz a linda da Lady Sybylla (nesse texto aqui http://www.momentumsaga.com/2014/07/o-que-e-distopia.html ), as distopias são contrárias às utopias e são para incomodar, extrapolando ao máximo problemas atuais.

Como professora, vejo as distopias como ótimas ferramentas para promover reflexão em sala de aula. Lembro que uma distopia que me marcou bastante quando eu era aluna de graduação foi A Revolução dos Bichos, do George Orwell. Não li o  livro propriamente, só assisti ao filme e li uma análise que associava o regime totalitário da história a realidades empresariais opressoras. Foi uma das portas de abertura para as pesquisas que tenho desenvolvido até hoje. Foi um grande divisor de águas na minha formação acadêmica e cidadã!

Mas quais as suas distopias favoritas, Elisabeth? Elenquei 5. A primeira é a primeira distopia que eu li na vida (há muuuuito tempo atrás, na época de escola), chamada Admirável Mundo Novo. Sim, foi por causa da Pitty, rs. E foi ao som de Admirável Chip Novo que comecei a gostar tanto desse estilo literário maravilindo.
O livro apresenta uma sociedade moldada unicamente por valores científicos-modernos, na qual os impulsos, desejos, crenças, ou qualquer outra manifestação da natureza humana/selvagem são erradicados. Nessa sociedade, John, nascido de um caso amoroso (o que vai totalmente de encontro às regras dessa sociedade), personifica o conflito entre o “primitivo” e o “moderno”.  A história é uma crítica fantástica à racionalização e à consequente automatização do ser humano. E também às regras sociais que excluem aquilo e aqueles/as que não “se encaixam”.
Essa história mexeu tanto com minha cabeça – adolescente, na época - que terminei o livro chorando horrores, pra variar. Lembro que, na época, bateu um medo de toda essa glória que o ser humano enxerga na ciência e na racionalização da vida, e da possibilidade disso desembocar na perda de sentimentos que nos fazem verdadeiramente humanos. Fiquei apavorada, rs. Mais tarde, já na faculdade, descobri o Max Weber e sua crítica à racionalização instrumental e utilitária. Acho que essa distopia diz muito sobre minhas escolhas em termos de pesquisas acadêmicas (e essa ficha só caiu agora, escrevendo esse texto ^^)
A distopia que mais me incomodou foi Ensaio sobre a Cegueira, sem sombra de dúvida. E este incômodo me impediu de seguir até o final do filme e de ler o livro. Sei o que acontece no fim da história porque procurei saber posteriormente, através de textos e tal, mas não consegui terminar de assistir pelo simples fato de que fiquei atordoada, me sentindo mal mesmo.
 A condição selvagem à qual o ser humano é exposto devido à falta de UM ÚNICO SENTIDO foi um soco no meu estômago, fazendo com que eu me atentasse para nossa fragilidade, nossa pequenez. Tudo aquilo que construímos enquanto seres sociais e que achamos que é essencial – como o casamento, por exemplo – fica em segundo plano quando nos vemos diante da exigência de saciar nossas necessidades básicas de fome, sede, sexo... Somos meros animais, no fim das contas. Isso vai bem ao encontro do que diz o Thomas Hobbes, de que o homem é o lobo do homem. E isso me inquieta porque é daquelas verdades que eu preferiria que fosse mentira. Queria que o Rousseau (que diz que o homem é bom, a sociedade o corrompe) ganhasse essa aposta =P
Assisti V de Vingança há 10 anos (MEU DEUS, QUANTO TEMPO!). Mas só li os quadrinhos há dois meses. Ele está na minha lista de distopias favoritas por vários motivos. Um desses motivos é o personagem principal, V (dãããã). V não é uma pessoa, na verdade. Ele/ Ela é uma idéia. Uma idéia libertária. E essa, pra mim, foi a sacada mais genial que um escritor poderia ter tido (na edição de 2012 da Panini Brasil, que tem todas as histórias reunidas, o Alan Moore conta as várias inspirações dele pra criação do/a personagem. Vale a pena dar uma conferida.).
V foge dos clichês comuns de super heróis, começando pelo fato de não ser homem ou mulher, o que já quebra um baita paradigma, e por ter um objetivo muito particular (principalmente em função do contexto distópico), que é vingar aquelas pessoas que são oprimidas, que tem sua liberdade e cidadania negadas, pelo simples fato de serem elas mesmas numa sociedade que dita regras excludentes e absurdas.
Esse contexto distópico em que V se insere é, à propósito, tão real, que às vezes me pergunto onde está a ficção na história. “Uma guerra” que utilizou pessoas que não se “encaixavam” nas normas sociais (mendigos, homossexuais...) como cobaias para os experimentos mais cruéis; uma sociedade em que crianças órfãs são submetidas ao trabalho escravo e à prostituição; em que jogos políticos determinam quem tem o poder de legislar sobre a vida de todos; em que as pessoas seguem um script... Seria mera coincidência? Eu acho que não!
Como não falar de Matrix, não é mesmo? A melhor distopia da 7ª arte do planeta! Com a melhor trilha sonora de distopias do universo! Com o casal hétero mais shippado da galáxia! Hahahaha! Amo muito esse filme. Mas só o primeiro mesmo. Acho que os irmãos sense8 perderam a mão nos outros dois. Mas é só uma impressão minha. O filme traz uma discussão filosófica maravilhosa, sobre estarmos vivendo o real ou não. Penso muito em Nietzsche quando começo a viajar nesse filme, quando ele fala sobre vivermos ilusões....
E mais uma vez caímos numa discussão sobre a evolução da ciência – que nesse caso, poderia levar a uma revolução das máquinas – não é verdade?
Afinal, o que é real? Tudo isso que criamos à nossa volta pra nos sentirmos mais “vivos” não seriam meras ilusões, meras distrações para nos manter afastados da realidade? Para que não encaremos o que, de fato, é real? Já que o que é real é doloroso e nos tiraria da nossa zona de conforto?
Mais uma vez me pego pensando em Ensaio sobre a Cegueira.... Será que, no final das contas, a realidade está associada ao que há de mais animalesco em nós? Será que os sentidos nos enganam? Como nos libertar de todas essas “enganações” a fim de “liberar nossa mente”? Esse filme suscita essas e tantas outras questões na minha cabecinha. E por isso eu o amo tanto (além de ter a Trinity, umas das minhas personagens femininas favoritas).
Outra distopia que eu AMO e quem me conhece sabe da minha PAIXÃO SEM LIMITES é Jogos Vorazes (*-----------------------*). Eu não sei nem explicar o que me fascina tanto nessa história. É meio que TUDO MESMO, rs.
Jovens que pertencem a comunidades periféricas à Capital são postos numa arena todos os anos para se matarem. Pode parecer algo distante da realidade, mas pensa ai em jovens que encaram a morte todos os dias nas periferias de todo o país. Essa realidade distópica nem é tão surreal assim, não é mesmo? Foi isso que me encantou de início, quando assisti o primeiro filme. Ai fui para os livros e, GENTE! A crítica à noção de centro X periferia é bem evidente. A ideia de como as relações de poder são muito mais complexas que a dicotomia dominante X dominado também é explorada de forma bem interessante (principalmente com a presidenta Coin). A crítica à comunicação de massa, alienante e manipuladora, também está presente na história o tempo todo. E nem vou falar sobre como a Katniss é uma personagem significativa para as discussões de gênero no universo literário pra não me alongar demais <3.
Bom, falei sobre essas 5 distopias que gosto e que mexeram bastante comigo, mas poderia recomendar muitas outras que são igualmente instigantes. The Walking Dead é um exemplo. Quase sempre choro com os episódios, nos quais os personagens vão se descobrindo e descobrindo um “admirável mundo novo” em meio ao apocalipse zumbi. Falei um pouco sobre essa série nesse texto aqui: http://elisabeth-santos.blogspot.com.br/2012/07/sobre-o-fim-dos-tempos.html . Laranja Mecânica é outra distopia que dá uma excelente reflexão sobre psicologia, behaviorismo, essas coisas. Também tem O Silo que, na verdade, é o primeiro livro de uma trilogia escrita por Hugh Howey. Não li a trilogia toda, mas gostei do primeiro (apesar de umas forçadas de barra que não me convenceram em alguns momentos), principalmente por ele trazer uma personagem feminina bem interessante como protagonista. Ainda tem Inteligência Artificial que é um dos meus filmes favoritos T_T. E 1984 está na minha estante como leitura obrigatória pós tese.
Não gosto muito de Divergente, nem do The 100 (série nova da netflix)... Mas as distopias que não gosto ficam para outro momento J
Se você conhece alguma distopia legal, indica ai!

Bjks!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Minha trilha sonora


Todos vocês já imaginaram suas vidas como filmes muito loucos, ou só eu tenho essa mania? Acredito que todos nós, não é mesmo? Mesmo que alguns acreditem num diretor todo poderoso e criativo que cria todas essas histórias, ou que outros creiam que são, eles próprios, os diretores de seus “filmes-vida”, todas essas histórias tem um começo, um meio, um fim, e são extremamente complexas. Dramas respeitáveis, merecedores de Oscar!

Já que estamos falando sobre filmes, todo filme que se preze é embalado por uma trilha sonora bem bacana, neh assim que funciona?  E eu adoro trilhas sonoras! Nossos filmes-vida tem trilhas sonoras compostas por canções que falam sobre nós, que embalam nossos melhores momentos, nos fazem bem, nos trazem lembranças (boas ou ruins)... são trilhas cheias de histórias. E a minha trilha sonora não é diferente!

É nesse embalo que eu gostaria de compartilhar com vocês a minha trilha sonora, que está no link abaixo. Ficaria bem feliz se vocês ouvissem:



Claro que não coloquei todas as músicas que gosto aqui. Tive que fazer um baita esforço para selecionar só algumas. Cada uma dessas músicas selecionadas tem um significado especial, e vou tentar falar bem rapidinho sobre cada uma delas. Vou seguir a ordem da playlist, para que vocês possam ler o texto ouvindo as minhas musiquinhas (que talvez sejam suas também) :) 

Animal Instinct (The Cranberries) – Minhas mãe e minhas irmãs mais velhas gostavam do The Cranberries, e eu cresci assimilando esse gosto (como tantos outros, que outro dia conto pra vocês em outro texto). Foi só no começo da faculdade, entretanto, que comecei a ouvir mais a banda. Gosto da voz da Dolores O’Riordan, e as letras são sempre lindas. Essa letra, em especial, me cativou desde o início. Ela fala sobre a relação entre mãe e filho e sobre como ela é cheia de altos e baixos, como todas as relações humanas. Li na newsletter (maravilhosa) da (também maravilhosa) Aline Valek que a própria Dolores disse que escreveu essa música depois de uma crise emocional quando teve seu primeiro filho. Depois que soube disso, fiquei ainda mais encantada com essa música *-*

Mad World (Gary Jules) – Conheci essa música ouvindo a trilha sonora do filme Donnie Darko (que é MARAVILHOSA, cheia de musiquinhas antigas e deliciosas). O filme é uma viagem, do jeitinho que eu gosto, e a música faz jus à história do filme, falando sobre pessoas solitárias e tristes num mundo louco repleto de pessoas com rostos familiares que andam em círculos o.O 
Acho essa música linda, bem tristinha, no ponto certo. E imaginem minha surpresa ao ouvir essa música no nono episódio de Sense8, numa cena com Lito e Nomi, no museu Diego Rivera! Uma das cenas que mais me arrancou lágrimas nos últimos tempos  T_T 


Fake Plastic Trees (Radiohead) – Conheci essa música numa aula de inglês, há muitos anos atrás, com meu professor, o Victor (um dos maiores fãs de Radiohead que já conheci). Foi paixão à primeira vista, pela música, pelo clipe, pelo Thom Yorke e sua cara de cachorrinho abandonado *-*. A música é linda e fala sobre coisas, sentimentos e pessoas “fakes”, “de plástico”, e também sobre uma realidade que, no fim, sempre desmascara essa falsidade toda. Ela é daquelas músicas que toca a alma, e que SEMPRE me emociona. É a minha música favorita de todo o universo!
Vejam essa campanha linda que usa a música como tema, e que sempre me deixa arrepiada: 






Glory Box (Portishead) – Também conheci Portishead nas aulas de inglês, há alguns anos atrás (é, gente... sempre achei música uma ótima ferramenta pra aprender inglês!). Gostei da banda por achar o estilo bem diferente. A voz da cantora é linda e as músicas tem uma pegada bem melancólica, bem suave... Pesquisando sobre a banda, descobri que esse estilo diferente deles tem nome, e é trip hop, “música eletrônica em downtempo (lenta), marcada por downbeats (batidas desaceleradas, menos de 120 bpm)”, segundo nosso queridíssimo Wikipedia. Acho que essa música retrata bem a vibe da banda, assim como Roads (pra quem gostar e quiser ouvir mais). Além disso, a letra fala sobre corações partidos: MELHOR TEMA EVER (adoro uma boa sofrência)! “Give me a reasooon to loove youuuu” <3  

Sweet Disposition (The Temper Trap) – Conheci essa música num dos meus filmes favoritos: 50 days of Summer. Se eu não me engano (quem puder conferir pra tirar a dúvida, eu agradeço), essa música toca na cena em que o Tom (Joseph Gordon-Levitt, aquele fofo) percebe, depois de sofrer horrores com o fim do relacionamento com a Summer (Zooey Deschanel, aquela linda!), que pode sair daquela fossa, e recomeçar sua vida. E foi num momento semelhante a este que essa música assumiu um papel importante no meu filme-vida: depois do fim de um relacionamento conturbado. Por isso, sempre associo essa música a um recomeço. Ela sempre é um estímulo, e me enche de uma disposição bem docinha :)

Temptation (New Order) – Conheci essa música na trilha sonora do filme As vantagens de ser invisível (muitos corações pra esse filme que está devidamente favoritado lá no meu perfil do filmow - http://filmow.com/usuario/elisabethcsantos). Fui atrás da banda e descobri que ouvia muito as músicas de New Order quando mais nova, por influência das minhas irmãs mais velhas. Daí comecei a ouvir mais e a gostar mais também. Gosto do clipe dessa música, e minha irmã mais nova diz que eu pareço a atriz (não sei se pelo cabelo, pelo jeito dela, ou se ela tava me chamando de ladra) :3 É minha musiquinha pra começar o dia feliz.



Just Like Heaven (The Cure) – Essa é daquelas músicas que não sei exatamente como entrou na minha vida. Nem conheço muito o The Cure, só as mais conhecidas mesmo, mas gosto tanto dessa música... A letra me lembra romances, sabe? Aquelas que nos deixam com um friozinho bom no estômago. Uma delicinha. “I'll run away with you... I'll run away with you…” 

Bros (Wolf Alice) – A banda que toca essa música foi uma indicação de um amigo, o Glauco. E que indicação linda! O nome da banda é Wolf Alice, e acho que vocês TEM QUE OUVIR O ÁLBUM, “My love is cool” AGORA MESMO!!! Adoro várias músicas do álbum, que tem uma pegada das bandas punk de mil novecentos e bolinha. Mas, pra minha trilha sonora não ficar cheia de músicas de uma banda só, escolhi Bros porque me lembra muito a demônia da minha irmã e nosso relacionamento de uma vida toda. A música fala sobre essa “brodagem” entre irmãos, e o clipe me arrancou boas lágrimas, me fazendo lembrar das coisas boas que a gente só vive com essas criaturas. Assistam o clipe, PFV! Ele é tão lindo <3



The moon song (Karen O.) – Sou louquinha pela Karen O. desde que assisti Where the Wild Things Are, que amo de paixão. Amo a trilha sonora desse filme! É daquelas que não enjoo de ouvir. Depois de conhecer a Karen, e de vasculhar sua vida toda, conheci também o Yeah Yeah Yeahs, e passei uma boa época da minha vida só ouvindo eles, rs. Também tem musiquinha dela em Frankenweenie :3 Mas acho que a música que mais representa a fofura dessa mulher é essa, principalmente por estar nesse filme lindíssimo que é Her. Gente, não queria nem lembrar desse filme pra não começar a chorar, mas... tarde demais:



Story of a man (Tiago Iorc) – Acho que essa é uma das melhores músicas do Tiago Iorc. A letra fala sobre vivermos tentando provar coisas às outras pessoas, quando deveríamos passar mais tempo ouvindo, respeitando, vivendo, de fato. O clipe é super simples, uma coisa linda, como tudo o que o Tiago faz:



L’autre valse d’Amelie (Yann Tiersen) – Não poderia faltar Yann Tiersen com a melhor trilha sonora do mundo do melhor filme de todos os tempos, neh? Rs. Amo a trilha sonora toda, mas escolhi essa música porque acho que ela representa bem o espírito do filme. Amélie Poulain é um filme sobre a simplicidade, e sobre como as coisas mais simples são tão mais lindas, sinceras e verdadeiras. É por causa disso que esse filme é tão leve, tão gostoso, e faz o tempo passar de forma quase imperceptível. Além disso, o filme tem uma fotografia linda, e atores fosíssimos (preciso nem dizer que sou fã da Audrey Tautou, neh?). Já me disseram muitas vezes que esse filme é  a minha cara, e faço questão de acreditar, hahaha! *-*

Yellow (Coldplay) – Essa música me lembra uma época feliz em que eu fui bolsista na faculdade. Nessa época, eu e meus amigos, também bolsistas, resolvemos estudar inglês juntos usando músicas. Essa foi uma das músicas escolhidas, e que ficou guardadinha na minha memória. Também me chamavam de amarela e associaram essa música a mim (mais especificamente uma pessoinha chamada Keith e que é linda, diga-se de passagem). Além dessas boas lembranças que essa música me traz, acho a simplicidade do clipe uma coisa linda.



There is a light that never goes out (The Smiths) – Lembram que no orkut tinha um espaço para você descrever um encontro ideal? Pois bem. No meu perfil, meu encontro ideal era a letra dessa música. Que brega, hein? Essa música também está na trilha sonora de 50 days of Summer, na cena que Tom e Summer se falam pela primeira vez, no elevador. Não consigo cantá-la sem imaginar a vozinha da Summer “To die by your side, is such a heavenly way to die” <3

The melody of a fallen tree (Windsor for the derby) – Descobri essa lindeza na trilha sonora do filme Maria Antonieta. Gosto da melodia. Ela costuma embalar minhas viagens. A letra é levinha e fala sobre coisas boas que não conseguimos enxergar, e que estão nas coisas mais simples (no mar, debaixo das folhas....).

The suburbs (Arcade  fire) – Mais uma vez o Spike Jonze atacou meu coraçãozinho mole. Na época em que saiu o clipe dessa música, assinado por ele, eu me apaixonei instantaneamente. O clipe é lindo, e a música é super gostosinha de ouvir. Ela sempre me fez pensar em como nos achamos invencíveis quando somos jovens... doce ilusão.




Dreams (The Cranberries) – Essa música marcou um momento de grandes mudanças na minha vida: minha saída da casa dos meus pais, meu primeiro trabalho, os romancinhos bobos da faculdade, essas coisinhas que vão “moldando” a gente. Foi minha música de perfil do Orkut por muito tempo, rs. Sdds Orkut <3

Kiss (Mélanie Laurent) – quem canta essa música é uma das mulheres mais lindas que já vi na face da terra. O nome dela é Mélanie Laurent, e a conheci no filme Bastardos Inglórios (é a Shoshana, gentein! <3). Na época em que assisti esse filme, eu tinha um amigo, o Rodrigo, que também era louco por ela (e pelos filmes do Tarantino). Aí ele descobriu que ela também é cantora, e me mandou um clipe. Não foi o clipe dessa música, mas foi o suficiente pr’eu baixar o álbum dela e ouvir por dias e dias (o nome do álbum é En t’attendant, pra quem gostar da música e ficar com gostinho de quero mais). Acho que essa é a música mais legal do álbum, e o clipe mais lindinho também. Fica a dica pra vocês darem uma conferida no trabalho dela como cantora, e como atriz também, caso ainda não conheçam.



Something (The Beatles) - Essa música marcou um momento lindo, em que conheci uma pessoa linda, por quem sou apaixonada até hoje. Basta dizer isso sobre ela :)

Só depois de colocar a maioria das músicas nessa playlist, me dei conta que elas são todas internacionais ^^ Na próxima vez, faço uma playlist de musiquinhas que marcaram minha vida só com artistas nacionais :D

Bjks!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Demolidor: uma série bem massinha

Já faz um tempo que assisti à série Demolidor, produzida pela Netflix (que, vou te falar, tá arrebentando no quesito séries, viu?). Fiquei com vontade de escrever algo sobre a série do ponto de vista de alguém que não está inserida no universo dos quadrinhos, que não é tão fã assim de super heróis (exceto quando estou assistindo com meu sobrinho de 8 anos), e que não entende nadica de cinema (só sei sentir, rs). Na época do ~furor da série, uma moça escreveu mais ou menos algo nesse sentido, ai eu fiquei tímida. Mas uma conversa recente com um amigo me incentivou a escrever algumas linhas, só pra destacar porque gostei da série, e porque recomendo a quem, como eu, não entende muito desse universo nerd. Vou elencar alguns pontos que tornam a série bem legal de se assistir. Sintam-se a vontade para discordar:
1-      O personagem em si. O Demolidor foge do senso comum nessas histórias de super heróis começando pelo personagem, que é deficiente visual. Isso torna o personagem muito mais complexo, e sua construção bem mais desafiadora. Quantas vezes vemos super heróis deficientes nessas histórias que vão para as telinhas (alcançando um número maior de consumidores do que nos quadrinhos)? Só consigo lembrar do professor Xavier. Trazer pessoas deficientes para o centro desse tipo de história é algo bem bacana, e tem a ver com algo que tem sido muito discutido atualmente, que é a representatividade. Representar deficientes (e mulheres, e negrxs, e gays, e trans) como personagens principais, complexos, com os quais nos identificamos, é um ganho significativo para as telinhas, que na sua graaande maioria só trazem homens brancos, não deficientes e héteros para o centro das atenções. Além disso, a inclusão se torna necessária por conseqüência. Por ser uma história sobre uma pessoa cega, a Netflix disponibilizou o recurso de narração descritiva para as pessoas que são deficientes visuais acompanharem a série *-----------------* Coisa linda de se ver!
2-      O ator escolhido (vou nomeá-lo “o carinha de Stardust” porque não sei o nome dele, mas só consigo lembrar dele nesse filme). Além de ter um sorriso lindo (só perde pro sorriso do meu boy magia), ele estudou muito bem o personagem. Até acredito que ele é cego, às vezes (importante ressaltar que eu acredito em qualquer coisa, migas).
3-      O tom dark. O Demolidor é deficiente visual, seu mundo é escuro, e isso dá um tom dark à série, o que eu acho esteticamente muito atrativo! As luzes verdes e vermelhas, os ambientes escuros, tudo isso deixa a série mais bonita, o clima mais sombrio, e nos aproxima da forma de ver o mundo do Matt. I like this!
4-      Fisk. Não é de hoje que gosto mais dos vilões e vilãs. Por pouco não gosto mais do Fisk que do Matt. Os vilões e vilãs geralmente são mais humanos, sofrem vários dilemas, agem por impulso, são vida loka, carregam consigo histórias dolorosas, não são certinhos. Como não se identificar com elxs?!?! <3 É o caso do Loki. Tenho uma afeição por aquele irmão do mal que não consigo descrever! Nunca achei graça no Thor. O Loki sempre rouba as atenções com aquele temperamento maluco. Sinto até pena dele... MAS VOLTANDO, o fato é que cheguei a torcer pelo Fisk algumas vezes, não vou mentir. Mesmo sentindo muito medo dele. O cara é, de fato, o Rei do Crime. Acho que acertaram na escolha do ator (apesar de não conhecer os quadrinhos, sinto que o ator conseguiu representar bem a cabeça perturbada do Fisk).
5-      Vanessa. Sempre tento analisar as personagens femininas nas histórias de ficção. Neste caso, cheguei à conclusão que, apesar da Vanessa não ser protagonista e assumir um papel secundário, e de não explorarem a história dela (uma pena), a bicha lacra, viu? Não sei o que ela realmente sente pelo Fisk (acho que ela o ama de verdade), mas ela é uma vilã que me conquistou facinho. Ela é racional, mantém a calma quando o Fisk ta lá explodindo, e me pareceu uma ótima estrategista. Sem contar que ela é linda, culta, e tem muita “presença” (ela nem usa super jóias, super penteados, é super simples. Tô apaixonada por ela, gente!).

Meu boy, que entende do universo nerd e tal, me disse que o Demolidor ainda está aquém das suas super habilidades nessa série, comparado à sua performance nos quadrinhos. Mas eu entendo que essa primeira temporada foi só uma apresentação para a segunda, mostrando a evolução do personagem, o que dá um caráter mais real à coisa toda.

Bem, é isso. Vale a pena assistir.


Até a próxima! Bjks!

terça-feira, 9 de junho de 2015

Jesus, a transexual e a intolerância

Fui católica boa parte da minha vida, graças a meus pais. Minha infância foi marcada por váaaarias atividades relacionadas ao catolicismo, como frequentar a missa todos os domingos, rezar o terço frequentemente, participar das festividades relacionadas aos dias de vários santos, participar de grupos de liturgia, de eventos direcionados aos jovens, desenvolver trabalho voluntário em pastorais etc. Apesar de católica, sempre fui muito aberta a outras crenças, e cheguei a frequentar cultos evangélicos com meus amigos e amigas, a cantar seus hinos, e a ler a literatura espírita, da qual gosto até hoje. Na minha cabeça, todas aquelas manifestações eram para um mesmo Deus (ou Deusa), que pregava o amor acima de tudo. Esse envolvimento todo aconteceu até a adolescência, quando me afastei da cidade onde cresci, fui estudar em outros locais, e comecei a me questionar sobre o verdadeiro sentido daquilo tudo. Depois de muita reflexão, tomei certas conclusões e decisões que me afastaram definitivamente de qualquer religião, mas não é sobre essas decisões que quero discutir aqui.
Como boa católica, sempre tive contato com a história de Jesus. Mas a história dele nunca me inspirou alegria. Pelo contrário, a história de Jesus sempre me fez chorar de tristeza. Até hoje, não tenho muito estômago para assistir espetáculos como o da Paixão de Cristo, ou assistir filmes que contam a história dele. Ela me comove de uma forma que não consigo não chorar como uma criancinha, e sempre fico com um peso enorme no peito.
Pobre e negro (apesar de retratarem Jesus como branco e de olhos azuiszzzzzzzz), desde seu nascimento Jesus foi excluído pela sociedade onde vivia, não tendo direito nem a um nascimento seguro. Ele pregava o amor, a servidão, a igualdade entre as pessoas, e foi perseguido e brutalmente assassinado em função disso, por pessoas que se viam como justas, que acreditavam que podiam ter privilégios sobre as outras, pessoas que não conseguiam ver além da sua própria verdade, e que eram capazes de matar para garantir que sua verdade fosse mantida e seguida.
Ai vocês podem até dizer: Mas Elisabeth, a história dele é linda, ele morreu pelo que acreditava, ele morreu por nós, ele ressuscitou... Ok, gente. Entendo que vocês tentam ver o lado bom das coisas. Mas eu nunca consegui tirar o foco da brutalidade a qual Jesus foi submetido. Isso me choca até hoje. Mas não me choca só porque é uma história triste que aconteceu no passado, mas porque é algo que vejo TODOS OS DIAS AINDA HOJE.
Sabe aquele cara que mora na favela e que tenta sobreviver e sustentar sua família a cada dia em meio à violência, a uma sociedade que não acredita no seu potencial, que não lhe dá oportunidades, que não lhe dá o direito de viver dignamente? Ele vive um pouco do que Jesus viveu. Sabe aquele morador de rua que morreu queimado, as milhares de mulheres que foram e são assassinadas pelos respectivos companheiros ou por qualquer outro homem que se acha no direito, aquele menino gay (e tantos outros) que foi morto por sua orientação sexual, aquela pessoa transexual que foi morta por ser quem é, e tanta gente que morre um pouquinho a cada dia vítima da intolerância, do preconceito, dos “donos da moral e dos bons costumes”? Eles foram Jesus por algum momento. Eles e elas sofreram e sofrem da mesma injustiça e brutalidade que Jesus sofreu por ser pobre e por querer um mundo mais justo, mais igual.
Elxs podem não ter sido crucificados, porque abandonamos a crucificação como penalidade, mas os mecanismos são outros e diversos. São até mesmo simbólicos, sutis. As pessoas ainda se apegam tanto a uma verdade que são capazes de esquecer de valores como servidão, bondade, amor, e são cruéis, excluindo, não garantindo direitos básicos, se achando no direito de definir quem deve morrer e quem deve viver. Isso soa tão absurdo pra mim, que fico cada dia mais triste com a capacidade humana de ser cruel com o próximo.
Ai eu vejo uma moça, transexual, que usa a história de Jesus para representar o sofrimento que as pessoas transsexuais sofrem por quererem ser tratadas como iguais, por quererem simplesmente não correr o risco de serem mortas por serem quem são. Não vejo história melhor que a de Jesus para representar essa injustiça que transexuais (e negros, pobres, mulheres etc. etc.) sofrem em função do preconceito. A história de Jesus representa o amor sendo assassinado pela intolerância, e isso ficou muito claro na parada gay, com a performance que a moça fez.
Talvez tenha sido fácil para mim fazer essa interpretação, uma vez que, apesar de não ser religiosa, sempre tive contato com várias religiões, principalmente ao começar a me dedicar aos estudos culturais. Pode até ser... O fato é que as pessoas se fecharam em suas verdades absolutas, e estão criticando, desvalorizando, e se sentindo ofendidas com performance da moça na parada gay. E isso pode estar acontecendo por vários motivos, seja por intolerância religiosa, por intolerância de gênero, ou por simples falta de reflexão sobre o caso (e para o meu pesar, acho que é esta última que está acontecendo, principalmente no meu círculo de amigxs).
No sentido de tentar ajudar a quem está tendo dificuldade em refletir sobre o caso, lanço algumas questões, que talvez ajudem: Se você acha que a performance da moça numa cruz, representando Jesus Cristo, é um desrespeito, por que você acha isso desrespeitoso? É porque é uma transex? É porque aconteceu na parada gay? É porque não se pode fazer referência a Jesus em outro lugar que não seja a igreja?
Para mim, todas essas possíveis respostas acabam caindo num campo perigoso, o da intolerância e exclusão: Se o problema são as transex e o movimento gay, existe uma grande probabilidade da pessoa ser preconceituosa em relação a elxs. Se o problema é a referência a Jesus (que foi totalmente contextualizada e problematizada neste caso), quer dizer que só algumas pessoas podem fazer referência a ele (como a mídia sensacionalista em propagandas, ou com ídolos do futebol protagonizando Jesus)? Será que você não está sendo seletivo ao achar “de boa” alguns falarem de Jesus, mas achar errado que outras pessoas se sintam representadas pela história dele? Será que o problema foi a performance da moça, ou é seu preconceito?
Eu, particularmente, acredito que não houve deboche ou agressão a um símbolo religioso. Pelo contrário! O símbolo de Jesus crucificado foi usado a favor do combate a algo que fere nossa sociedade, nomeadamente, o preconceito! Ele foi usado para mostrar que, ainda hoje, muita gente sofre pelo mesmo motivo que Jesus sofreu, e que isso é ABSURDO!
Acho, inclusive, que usar esses símbolos religiosos, particularmente o símbolo de uma religião dominante historicamente, é importantíssimo! Eles dão maior representatividade à causa, levam a uma reflexão mais profunda, nos fazem questionar sobre uma série de coisas – inclusive sobre de que lado Deus está! Acho essa uma reflexão super bacana, e que agrega religiosos e não religiosos. Particularmente, tenho plena convicção que Deus está do lado das minorias, dos excluídos, e daqueles privilegiados que estão preocupados em fazer do mundo um lugar melhor.
Quem sabe Jesus reencarnou em alguém que está a margem da sociedade, e nem nos demos conta? =P
Bjinhos e muito axé! :*

sábado, 24 de janeiro de 2015

Uma série "Fantastic"!

“Caras, cabou Doctor Who.... O que fazer da minha vida agora???” Este seria meu tweet da noite. Mas essa série é tão fantasticamente maravilhosa (e eu sou tão prolixa), que não rolou me limitar aos 140 caracteres... preciso de mais espaço!

Comecei a assistir Doctor Who beeem tarde. Mais precisamente no segundo semestre de 2014, semestre um tanto solitário e perturbador, no qual precisei urgentemente de rotas de fuga para manter minha sanidade mental. Meu estímulo foi minha mamis e seu lado nerd. Ela adora o “Are you my mommy?” e o “Don’t Blink!”. De vez em quando conversava comigo sobre os episódios dos quais gosta, e eu ficava boiando. Ai resolvi me inteirar sobre a série para termos mais assunto. Comecei a perceber que assistia episódios soltos dessa série quando mais nova, e que eu gostava, pois fiquei com aquela sensação de nostalgia assistindo o início da primeira temporada. Ia ver só alguns episódios, só pra entender o contexto... quando me dei conta, já tinha terminado a primeira temporada em menos de uma semana e estava louca pelas próximas (acreditem, isso é muito difícil de acontecer comigo, pois não tenho muito saco pra  séries)!

Os cerca de 50 minutos de cada episódio me instigavam e voavam! Ficava em êxtase a cada explicação sobre tempo-espaço, sobre a ocorrência maluca dos fatos, e sobre a amizade daqueles dois loucos desbravadores de universos! Acho que não tem como uma pessoa que gosta de ciência não gamar na série. São muitas especulações sobre o nosso futuro, sobre o ser humano e seu relacionamento com outras formas vivas e não-vivas, e especulações muitas vezes factíveis, que nos deixam com aquela sensação de “cara, preciso viver pra ver isso acontecer”!

Ai acabou a primeira temporada... “NÃÃÃOOO!!! Ele se regeneraaaaaaa!!!” (sim, até o fim da primeira temporada, eu não sabia nadica sobre a série. Acho legal assistir as coisas sem expectativas. Geralmente me surpreendo, e foi o que aconteceu nesse caso. Só comecei a catar tudo quanto é informação sobre a série quando já estava perdidamente apaixonada). Achei que iria odiar o novo Doctor. Achei que tudo ia perder o sentido na minha vida. Achei que nunca iria haver um Doctor mais legal que o Christopher Eccleston e aquele nariz estranho. Bem, errei feio, errei rude! David Tennant me conquistou tão rápido com aquele All Star e aquele Wibbly Wobbly Timey Wimey que quis casar com ele! Allons-y, Alonso!

Achei que ele e Rose Tyler formaram uma dupla bacana. Gostava dos dois juntos, até começar a achar a Rose chata por querer ter envolvimento romântico com ele. QUALÉ?!?! Ele é um Time Lord!!! E comecei a achar que estavam subestimando a inteligência dela nos episódios... achei até um pouco legal ela ter ido parar em outra dimensão (claro que uma parte de mim chorou nesse episódio). Mas isso foi resolvido quando a Martha chegou! Ela era inteligente e destemida. Gostava dela! Até perceber que ela também tava de mimimi romântico com o DoctorZzzzzzz.... Mas uma coisa me surpreendeu nela: quando ela resolveu deixar o Doctor e ir viver sua própria vida. Ela se mostrou bem independente, e depois disso (e de ter conhecido o universo e suas infinitas possibilidades – SÓ!) a besha passou a arrasar!

Mas a primeira companion com quem me identifiquei em vários momentos foi a Donna Nable! Ela não levava desaforo pra casa! Respondia as provocações do Doctor, e de forma tão inteligente quanto ele. Ria horrores com eles dois discutindo, rs! E eles eram unha e carne, era uma amizade bonita e verdadeira! Além disso, ela foi Doctor-Donna pra salvar o verdadeiro Doctor e, consequentemente, o mundo =O Admiro aquela ruiva! Em alguns poucos momentos achei que ela foi subestimada... mas foram poucos.

Ai veio aquele final triste da quarta temporada T_T

Todo mundo foi embora... a Rose voltou lá para a outra dimensão (com um Doctor só pra ela, matando milhares e milhares de pessoas de inveja, inclusive euzinha aki). Donna saiu de cena (esquecida de tudo, coitada! Foi o pior de tudo nesse final de temporada). Martha também voltou pro 
Torchwood (lacrou)... O Doctor ficou sozinho. Chorei feito um chafariz nesse episódio.... Ai começou a quinta temporada com aquele queixudo esquisito. Não foi fácil gostar do Matt. Nem da Amy.  Tava achando tudo meio forçado no início (chatice de fã eterna do Tennant como Doctor, eu acho). Só da metade pro final da quinta temporada comecei a gostar dele. E como! Apesar de ainda preferir o Tennant, Matt era excêntrico e esquisitão e tinha aquela ingenuidade bem característica do Christopher Eccleston como Doctor *-*. Da Amy mesmo, só fui gostar mais na sexta temporada. Mas me apaixonei por ela. Acho que a amizade deles foi a mais bonita de todas. Amy admirava o Doctor, mas não queria ficar de mimimi romântico com ele. Era “braba”, muito bem resolvida e inteligentíssima. A garota que esperou. Me identifiquei mais com ela do que com a Donna.  Adorava o romance dela com Rory, aquele fofenho. Os especiais de natal com o Matt foram, sem dúvidas, OS MELHORES DA VIDA! Super comoventes (leia-se “chorei em todos”). E a “River-Pond” “Melody-Song”? Que mulher! Melhor mulher! (Ela sim pode ter romancinho com o Doctor!).

Ai cabou a era do 11º Doctor e veio o 12º... vou te dizer: chorei feito bebê no primeiro episódio da oitava temporada. Senti o Doctor tão vulnerável que tive vontade de pegá-lo no colo e dizer “tudo vai ficar bem, você é o último dos Senhores do Tempo, o melhor, o fodão” (como se fosse possível algum tipo de contato carinhoso com aquele chato, rs!). O episódio “Listen” ajudou a dar essa “humanizada" nele. Gosto da Clara. Acho ela bem sagaz, impossible! Além disso, ela tem uma longa história com o Doctor, tendo salvado sua vida desde sempre (só por isso, já devemos muito a ela!). Não gostei taaanto do “Educação Física”, rs. Pra mim, essa oitava temporada foi a menos sensacional de todas, mas ainda assim foi ótima, afinal, é o Doctor Who! O especial de natal não chegou a ser tão bom quanto os da quinta, sexta e sétima temporadas, mas teve seus pontos fortes como o 
YIPPEE YAH YAYYYY =3

Bem,acho que ta meio tarde pra recomendar essa série, afinal, ela é um clássico, e eu cheguei tarde. Mas, pra quem ainda não conhece (como a minha irmã), recomendo! E, principalmente, pra quem curte ciência e ficção, acho que Doctor Who é a melhor pedida! E se, um dia, houver a possibilidade do Doctor se regenerar em forma de mulher, meu coração será todinho dessa série sem mais <3


=*