quinta-feira, 14 de abril de 2011

Texto de sexta-feira passada: Ontem tive consolos e o surgimento de mais dúvidas! Descobri que não tenho mais certeza de nada (e isso é muito dificil de admitir)! Descobri que passei anos "crendo" numa ciência feita por outras pessoas, ou seja, cri em pessoas e instituições, mas não "experimentei", não "refutei", não "criei" nem "recriei", não fiz a ciência na qual me baseei por toda a minha vida... Eu simplesmente CRI! E isso não é científico! Descobri (um dos meus consolos) que não só eu me senti uma fraude, e que não sou a única que se pergunta TODO SANTO DIA se haveria um caminho diferente a seguir, se haveria uma frma diferente de fazer administração, que não aquele baseado numa "racionlidade cognitiva instrumental", como me ensinou Boaventura. Isso é frustrante! Preciso encontrar uma nova forma de fazer as coisas funcionarem no meu campo de estudos, quebrando esse paradigma funcionalista e limitante, mas ao mesmo tempo compreendo que sei tão pouco... é exatamente como uma colega desabafou em sala de aula: nossa aprendizagem se dá de forma tão fragmentada que não entendemos as inter-relações entre o todo que aprendemos. Para mim, isso é uma forma de perpetuar o modo mais cômodo de entender e explicar o mundo. É muito mais fácil convencer-se e convencer outras pessoas de que a razão é o caminho mais coerente... Bem, outro consolo foi escutar de um professor que faz parte do processo científico se livrar das certezas (Se bem que com menos de 22 meses vou precisar ter uma posição, e a partir dela construir minha dissertação, rsrsrs!) Mas é bom saber que estou trilhando o caminho "certo" para o fazer científico (na verdade, estou "crendo" no que um cara que a UFPE considera como cientista social está me dizendo, kkk!).
Uma ótima notícia me deu um ânimo a mais na minha caminhada: todos os meus colegas mestrandos conseguiram ganhar uma bolsa! E assim se constrói a ciência! Vamo que vamo =)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Confissões de uma mestrada iniciante...

Acho que tenho algum tipo de deficiência cognitiva... Não consigo entender metade das discussões das aulas de sociologia... e é péssimo ver todos os ânimos alterados em cima de uma discussão interessantíssima que você não tem fundamento teórico para simplesmente acompanhar =( Estou sentindo na pele o quanto é difícil se inserir em outro contexto (mais uma vez, rsrsrsrsrs!). Mas estou esperançosa! O pouco que consigo captar de todos os debates estão me encantando, e me mostrando um novo caminho para a compreensão das coisas, principalmente sobre o homem de negócios (objeto de estudo ao qual me dediquei nos últimos tempos)! Outra coisa também não muito legal: comecei a sentir os efeitos do mestrado, rsrsrsrs! Tive um dia atribulado ontem que envolveram um banho de chuva antes de chegar na universidade, um trabalho mal apresentado por problemas psicológicos meus ( eu estava muito nervosa, coisas de iniciante!), e o pior de tudo, problemas com minha amada bolsa o que me levou a não assistir uma aula na qual eu iria dar minha primeira contribuição bacana.... os efeitos vieram de madrugada: dor no corpo, enxaqueca, suor frio, cólicas (o último sintoma em decorrência da querida TPM). Bem, mas vamos ao lado bom do dia: mais uma vez tive oportunidade de ler e refletir sobre a crônica “Só vim telefonar” de Gabriel Garcia Marques! E mais uma vez senti aquele incômodo lá no âmago do meu ser com as ligações que fiz entre o texto e os debates sobre as organizações e suas teorias! Pra quem não conhece a história, fala sobre uma mulher, cujo carro quebra no meio da estrada. A mesma pega uma carona num ônibus que está levando enfermas mentais para um manicômio (a protagonista da história não sabe desse pormenor) com o propósito de simplesmente telefonar, no entanto, ao chegar no manicômio é considerada mais uma louca em meio a tantas outras do ônibus, e passa o resto de seus dias naquela “prisão”, sendo considerada insana mental... Tive meu primeiro contato com esse texto na graduação, no livro “Sobre Organizações e outros escritos” do meu querido orientador de TCC,  e ele foi um grande “abridor de olhos” para mim, influenciando toda a reflexão critica que vim a fazer do mundo e da administração desde então! Vejo claramente nesse conto uma analogia com as estruturas modernas que nos rodeiam, o poder que elas é capaz de nos impor, através de uma racionalidade específica, nos eliminando enquanto seres singulares, nos transformando em “mais um”... para mim não existe termo mais desumanizante... “MAIS UM”! E isso me revolta!!!!! É o que acontece em grande parte das empresas (se não todas!), é o que acontece, em certa medida, na sociedade em geral.... estamos submetidos a regras, e nos conformamos a elas a fim de termos garantido o nosso espaço (mas será que é nosso mesmo? Será que quem manda nele somos nós realmente?). A coitada da protagonista é considerada irracional (considerando a racionalidade predominante naquele contexto) e cada tentativa sua de sair daquele manicômio, de se libertar, é considerada um sinal da piora do seu estado mental... ai fiquei pensando com meus botões: tenho uma hora de sair de casa, uma hora para assistir aula, procedimentos a seguir no curso para atingir uma nota (conceito) e ser aprovada, tenho um prazo para entregar minha dissertação, tenho uma meta de dois artigos a publicar nesse curto período de tempo do mestrado... eu to presa numa estrutura que me impõe regras, gente!!! E não fui eu quem criei as regras, mas eu tenho que dançar conforme a música.... a conformidade que tanto me revolta, está presente em mim! Bem, não vou prolongar a discussão, até porque já quebrei muito a cabeça hoje lá no PROPAD e lá no PPGS... preciso dormir urgentemente!!!!! Somos todos conformados mesmo, e daí? Boa noite!



domingo, 3 de abril de 2011

Por que voar alto???

Antes de mais nada gostaria de explicar o que me levou a criar esse espaço. Meu propósito é expressar minhas percepções acerca dessa nova experiência em minha vida: um curso de pós graduação na área de ciências sociais, e tudo o que isso envolve. Essa é, sem dúvida, a experiência mais emocionante na vida de alguém ávido por novas formas de ver o mundo e por novas possibilidades... Todos os dias saio da universidade com a cabeça fervilhando de idéias... e não somente porque ali estou aprendendo a aplicar novas técnicas e métodos específicos da área (longe disso!), mas porque estou sendo levada a pensar, a sair da minha zona de conforto, a me questionar, e ver que tudo aquilo em que acreditei, que me parecia coerente, não passa de uma visão limitada de uma realidade complexa, que nunca dominarei por completo! Enfim, não quero nem vou mostrar aqui somente o lado positivo dessa experiência, até porque tudo tem seu ying e yang (rsrsrs), e também porque pretendo alertar aqueles que, como eu, sempre sonharam com esse momento: as coisas não são um mar de rosas! Sair da nossa zona de conforto é duro, dói, nos deixa confusos, nossas bases, aquele conjunto de critérios que nos faz ver sentido nas coisas, são remexidas, nossos paradigmas são questionados.... além de que, descobrir isso é trabalhoso, envolve leituras e mais leituras, um trabalho árduo de "reconstrução" do conhecimento. Entretanto, há um lado gostoso e engraçado nisso tudo! O gostoso é saber que existem inúmeras verdades no mundo, milhares de novidades, e que você sempre será um aprendiz com todo o direito de escolher por qual caminho você vai trilhar. O lado engraçado (bem, eu tento ver como engraçado para não ser tão doloroso), é perceber como você foi "bobinho" por tanto tempo, acreditando que realmente podia abraçar o mundo com os braços, além da parte engraçada desse processo todo! Nossa... quantas coisas eu teria feito de forma diferente se tivesse me dado conta dessa verdade tão óbvia antes: minhas contribuições sempre serão apenas um tijolo numa muralha imensa! Nos julgamos tão donos da verdade quando saimos de uma graduação, para descobrirmos que somos tão pequenos, e é ai que aprendemos o que é de fato fazer ciência: é aceitar a refutabilidade e nem por isso desistir de dar a sua contribuição à compreensão do mundo. E enquanto cientista nova no pedaço, peço sempre sugestões às minhas interpretações frouxas do mundo. É um prazer compartilhar essas ideias com quem estiver interessado em lê-las, amigos também encantados com o "estar no mundo" =)