quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sobre a sala de aula...


Eeeeeiii!!! Faz tempo que não escrevo por aqui! E tenho um bom motivo para tanto: estive ministrando aulas na universidade todos os dias úteis desde setembro, e isso tomou praticamente todo o meu tempo! Mas por que você está explicando o que te deixou sem tempo de escrever por aqui, Elisabeth (perguntam os que não me conhecem muito bem e ainda não entenderam minha real intenção com esse texto)? É que este é, também, o motivo que me fez voltar a escrever no blog! Nada melhor que refletir sobre nossa ação! É essa reflexão que nos permite lançar um olhar crítico sobre aquilo que fazemos, que nos permite evoluir (essa sou eu paulofreireando, rs)! E nesse espaço, discorro sobre algumas reflexões relativas a essa nova experiência em minha vida: a sala de aula.
Penso que ministrar disciplinas (por mais que eu tenha críticas a elas, principalmente quando falamos do curso de administração) tem um propósito maior. Você assume uma “função social” no papel de educador. E, meu Deus, quanta responsabilidade! Mesmo que alguns professores vejam a coisa toda por outro ângulo, achando que não possuem “responsabilidade social” nenhuma ao entrar numa sala de aula, que sua função (no sentido funcionalista mesmo da palavra) é simplesmente transmitir um conteúdo. Mesmo assim, em algum momento, em alguma discussão, o professor toma uma posição. Afinal de contas, ninguém é imparcial o tempo todo! E sua parcialidade enquanto profissional da educação tem um potencial imenso de contribuir na formação de uma opinião, não se enganem os mais simplistas! Todo profissional da educação exerce, querendo ou não, influência sobre os estudantes.
Não estou querendo dizer aqui que o professor é o “suprassumo” (nem sei se é assim que se escreve)! Sabemos que o que se dá numa sala de aula é uma construção que envolve a troca de experiências e saberes entre professores e estudantes. Mas se lançarmos um olhar relacional sobre a coisa toda, temos um profissional cuja atuação é legitimada por diplomas e instituições que lhe conferem uma espécie de poder simbólico, reforçado por diversos elementos como um birô, um crachá, um “senhor(a)” que lhe é dirigido, etc., etc. Nós não somos iguais.
Ciente dessas e de outras tantas questões que esse campo de estudos lindo (a educação) envolve, me vi passando num concurso e sendo chamada para assumir duas disciplinas no curso de administração da UFPE. Um verdadeiro acidente, mas isso não vem ao caso agora. O fato é que aconteceu, e lá fui eu, cheia de limitações, morrendo de medo, e com a cara pronta pra levar porrada. Afinal, quem era eu pra querer dar uma de “educadora”? Eu que não sei nada da vida ainda!
Pois bem, assumi a tarefa (um dia eu teria que assumi-la, e não seria fácil de qualquer jeito). Chegando lá, me deparo com uma sala cheia de pessoas com personalidades, experiências, perspectivas diferentes... Vários mundinhos reunidos numa sala para assistir aulas de comunicação e qualidade, esperando algo de mim, esperando uma contribuição daquele momento que passaríamos juntos em suas formações... Eram formações que estavam em jogo (inclusive a minha)! Ao enxergar os estudantes que estavam ali sentados na minha frente enquanto seres humanos em formação, não tive pra onde correr! Querendo ou não, você sente o peso da responsabilidade!
Não preciso nem dizer o quanto me desesperei, neh?! Mas comecei a agir! Passei os dias preparando aulas, pensando em atividades, lendo sobre o assunto, aprendendo e tentando ajudá-los a aprender. Bem, acho que o conteúdo básico eles entenderam.
Mas o que me deixou feliz não foi ter feito com que eles entendessem o conteúdo básico da disciplina... isso eu teria que fazer de qualquer jeito. O que me deixou feliz de verdade foi saber que cumpri, mesmo que minimamente, aquela função social que falei no início do texto. E como eu descobri isso? Bem, uma das atividades que propus aos alunos foi a construção de diários para uma das disciplinas. Essa ideia veio de uma experiência riquíssima de aprendizado que vivenciei na disciplina de didática do ensino superior, durante o mestrado. Achei que seria uma forma de eles pensarem criticamente sobre coisas “corriqueiras” do dia a dia, mas que na verdade, são cheias de significados. E lendo esses diários, me deparei com relatos interessantíssimos de alunos que pensaram duas vezes antes de consumir um produto, que começaram a pensar no seu papel enquanto “consumidores-cidadãos”, que pensaram em alternativas criativas para melhorar alguns processos em seus ambientes de trabalho.... Genteeee! Eu choro vendo uma coisa dessas!
Plantei uma sementinha em alguns alunos! E essa foi, sem dúvida, a melhor coisa desses quase dois meses de trabalho intenso! Vocês podem estar pensando: ah, ela propôs uma auto-reflexão pra dizer que fez tudo certo? Eu respondo: NADA DISSO, rs! Fiz muita coisa que preciso repensar sobre! Tenho muito, mas muuuuuito mesmo a melhorar nessa nova “empreitada”! Mas o fato de ter conseguido fazer os estudantes ampliarem um pouquinho suas perspectivas de análise sobre suas próprias ações supera todos os problemas pelos quais passei e me dá todo o gás para o próximo semestre letivo. Entrar na vida de outras pessoas (mesmo que pelo curto espaço de tempo de 60h/a) e dar aquela chacoalhada existencial nelas é a melhor possibilidade que a profissão de professor oferece, rs!
E para quem ler isso e achar que é coisa de sonhador, e que não se muda nada assim: Um Só Lamento pra você (essa foi uma das expressões de impacto que aprendi nessa nova experiência em sala de aula, rsrsrsrs).
=D


2 comentários:

  1. :) Sorri, porque não há nada a dizer. Parabéns pelo desafio.

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  2. Amiga, adorei!!! Acho que mesmo com todas as dificuldades, vc conseguiu ir além e mostrou que está mais bem intencionada que muitos professores por aí. Fico feliz que tenha conseguido e que tenha gostado do que faz. Parabéns!!! Fiquei emocionada... e olha que ainda nem dei aula. srsrsrsrsr

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