Sentir
o mundo, expressar esse sentimento, e fazer disso uma arte. Eis o que consegue de uma forma contagiante a
banda Terceiro Sol, que acaba de lançar seu primeiro álbum, o Felicidade
Decadente. Formada por cinco jovens pesqueirenses, a banda já vinha
se apresentando em alguns eventos na cidade de Pesqueira, e eu já tinha estado em
duas dessas apresentações, mas foi na última, realizada no festival Pesqueira
Nação Rock, que fui fisgada de vez pelo trabalho desses lindos e lindas.
O festival
é uma interessante iniciativa dos jovens de Pesqueira e região que possuem
bandas e que se reunem ali para apresentarem seus trabalhos. É um momento que,
além de permitir a divulgação da produção dos grupos, estabelece a troca e o
diálogo entre as pessoas que vem trabalhando com música alternativa no agreste
pernambucano. As bandas tocam essencialmente rock (com espaço também para
raggae e outros estilos), são oriundas de Pesqueira e cidades circunvizinhas, e
compostas em sua maioria por jovens que trabalham de forma totalmente
independente.
O
Terceiro Sol usou o espaço para apresentar músicas do seu novo álbum, cujas
letras estão carregadas de uma forma particular, e livre, de enxergar o mundo. Cantando
o viver e deixar viver, o mostrar-se sem medo, o ser diferente nesse mundo de
protótipos, a banda mostra sua esperança na força que o próprio ser humano possui
para transformar uma realidade cheia de estereótipos e marcada por uma
“doutrina da corrupção”. Quando tudo e todos parecem tão desencantados com a
situação atual, é estimulante ouvir um trabalho como este, que não só mostra o
lado louco do mundo, mas propõe que acreditemos em nós e no nosso potencial de
fazer daqui um lugar melhor.
As
músicas são compostas por frases que insistem em não sair da cabeça: “Faça tudo
o que você quiser, mas não esqueça de amar uma pessoa”, “Vive e deixa viver,
vive o futuro é você”, dentre outras visivelmente escritas por pessoas antenadas,
sensíveis e, melhor ainda, que conseguem transmitir essa sensibilidade através
das palavras – uma habilidade de raros!
Além
das letras que me encantaram por mostrar que esse pessoal está usando a música
pra expressar sua preocupação com a realidade em que vive, o trabalho que eles tem
tido para fazer a banda funcionar também me encheu de orgulho. Senti que o
grupo amadureceu consideravelmente desde o primeiro show que assisti, e que apesar
de todos os problemas técnicos que surgiram durante o festival, eles mostraram
que estão acima de tudo unidos e que vinham se preparando com afinco para estarem
ali apresentando o álbum. Essa união do grupo fica ainda mais bonita quando
vemos os pais de dois dos integrantes presentes em todos os shows,
comercializando os CDs, registrando todos os momentos... E todo esse amor que emana
do grupo é encantador!
Ver esses meninos e
meninas se soltando no palco, cantando aquilo em que acreditam, passando essa
bela mensagem ao público, me faz ter cada vez mais certeza do poder transformador
que a cultura e a juventude possuem. Fico muito feliz em ver o Terceiro Sol vencendo
as dificuldades e lançando esse álbum cujas músicas já estão na boca dos fãs.
Desejo todo sucesso pra vocês, meninos e meninas! Vocês são a nova cara da
música brasileira, mais reflexiva e crítica! Parabéns J
