Finalmente
arrumei uns minutinhos para escrever sobre uma série que assisti há um tempo, e
que merece um texto só pra ela.
O
nome da série é Humans, lançada neste ano (pelo menos em termos cinematográficos,
2015 foi um ano interessante), e que surgiu na minha vida num dos posts
maravilhosos da Lady Sybylla. Como o tema é inteligência artificial, fiquei bem
instigada, fui lá conferir, e acabei gostando.
A
série se refere a um futuro não muito distante, no qual a mais nova sensação
são os Synths, robôs de
alta tecnologia, parecidos com seres humanos, que podem ser comprados para
servirem como verdadeiros escravos, seja trabalhando em serviços domésticos, servindo
como mão de obra em indústrias, ou até mesmo oferecendo serviços sexuais.
Joe, pai de uma família tradicional e suburbana,
resolve adquirir uma Synth, a qual ele chama de Anita. Isso porque ele não dá
conta de cuidar da casa e dos filhos enquanto sua esposa trabalha como advogada
e passa dias fora (desde o começo tive nojo do Joe, e isso foi se confirmando
com o passar dos episódios, mas não vou explorar minha impressão negativa sobre
ele, se não teria que abordar muitas coisas, e ele não é o foco).
Com o passar do tempo, a Anita vai apresentando
um comportamento estranho, ou melhor, um comportamento humano. Paralelo a estes
acontecimentos, vamos descobrindo que Anita (que na verdade se chama Mia), tem
uma história anterior à sua compra pela família de Joe. Isso porque Leo (que
não se sabe o que é exatamente da Mia) a procura junto a outros robôs que também
tem um comportamento humano. Aos poucos vamos descobrindo que só alguns Synths
são dotados de características humanas como a capacidade de sentir dor, alegria,
tristeza, raiva, amor, essas coisas todas. E que eles vivem em segredo.
A ideia de protótipos humanos, dotados de
inteligência artificial, apesar de um pouco batida, me parece sempre algo atual
e interessante por promover reflexões tanto sobre essas “criaturas”, quanto
sobre seus criadores. Já percebeu como criar um ser desses é um ideal
científico buscado desde que a ciência existe? E que com isso, a ciência nada
mais quer que se equiparar a Deus? E isso é muito louco! A ciência tenta se
afastar de Deus, criando suas próprias verdades, baseadas em fatos concretos e
não na fé, mas quer se equiparar a ele. Isso só reforça minha opinião de que a
ciência [pelo menos a tradicional] é tão dogmática quanto a religião. Vamo
mudar issaê, Brasil!
Mas toda essa busca por realizar algo tão
grandioso teria suas conseqüências (caso isso se realizasse, claro). E essas
histórias, desde Frankenstein, são ótimos exemplos sobre tais conseqüências.
Essas “criaturas” poderiam sentir um eterno vazio por não se sentirem “encaixadas”
entre os humanos. Poderiam se sentir seres inferiores, afinal, o ser humano
sempre se acha superior a tudo, não é mesmo? E isso poderia gerar a tão
famigerada revolução das máquinas contra os humanos. Motivos para se rebelar, os
robôs teriam de sobra! Acho até que eu estaria do lado dos robôs, lutando pelos
“direitos humanóides”, rs.
Bom, voltando à série, os personagens que compõem
o grupo de robôs que possuem “sentimentos” são bem diversificados. Cada um
deles possui uma personalidade marcante, apesar de serem bastante racionais e,
em certa medida, mecânicos, não sabendo lidar muito bem com suas emoções. A
Niska, por exemplo, é uma rebelde COM causa, e super desconfiada com a
humanidade, devido a tudo ao que já foi submetida. Max é um fofo, super otimista,
e acredita na bondade humana (eles são meus personagens favoritos <3). Fred
é forte e durão. Mia é cuidadosa e amorosa. Karen é solitária e desacredita na
bondade de qualquer ser (seja ser humano, seja robô).
Outro ponto bastante positivo da série é a
relação que os “robôs com sentimentos” constroem entre si, mas não vou falar
sobre isso se não vai rolar spoiler. A atuação dos atores que fazem os robôs é
outro ponto digno de respeito, em especial os personagens de Max e Odi. Odi é
um dos robôs, e tem uma relação de amizade bem bonita com o seu dono, um senhor
já velhinho, com a memória falha, que encheu meus olhos de lágrimas algumas
vezes.
Apesar dos vários pontos positivos, a série tem
alguns furos como, por exemplo, a atuação do cara que faz o Leo, que às vezes (quase
sempre) não me convence. Outras questões que ficam pairando no ar são como
danado a Karen conseguiu entrar para a polícia sendo um robô? O que os “robôs com
sentimentos” fizeram todos os anos anteriores, desde sua criação? Para onde a
Anita levou a Sofia no primeiro episódio?
Mas mesmo assim, ainda dou 4 estrelinhas para a
série =D
Bjinhos e até mais!