sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Humans

Finalmente arrumei uns minutinhos para escrever sobre uma série que assisti há um tempo, e que merece um texto só pra ela.
O nome da série é Humans, lançada neste ano (pelo menos em termos cinematográficos, 2015 foi um ano interessante), e que surgiu na minha vida num dos posts maravilhosos da Lady Sybylla. Como o tema é inteligência artificial, fiquei bem instigada, fui lá conferir, e acabei gostando.
A série se refere a um futuro não muito distante, no qual a mais nova sensação são os Synths, robôs de alta tecnologia, parecidos com seres humanos, que podem ser comprados para servirem como verdadeiros escravos, seja trabalhando em serviços domésticos, servindo como mão de obra em indústrias, ou até mesmo oferecendo serviços sexuais.
Joe, pai de uma família tradicional e suburbana, resolve adquirir uma Synth, a qual ele chama de Anita. Isso porque ele não dá conta de cuidar da casa e dos filhos enquanto sua esposa trabalha como advogada e passa dias fora (desde o começo tive nojo do Joe, e isso foi se confirmando com o passar dos episódios, mas não vou explorar minha impressão negativa sobre ele, se não teria que abordar muitas coisas, e ele não é o foco).
Com o passar do tempo, a Anita vai apresentando um comportamento estranho, ou melhor, um comportamento humano. Paralelo a estes acontecimentos, vamos descobrindo que Anita (que na verdade se chama Mia), tem uma história anterior à sua compra pela família de Joe. Isso porque Leo (que não se sabe o que é exatamente da Mia) a procura junto a outros robôs que também tem um comportamento humano. Aos poucos vamos descobrindo que só alguns Synths são dotados de características humanas como a capacidade de sentir dor, alegria, tristeza, raiva, amor, essas coisas todas. E que eles vivem em segredo.
A ideia de protótipos humanos, dotados de inteligência artificial, apesar de um pouco batida, me parece sempre algo atual e interessante por promover reflexões tanto sobre essas “criaturas”, quanto sobre seus criadores. Já percebeu como criar um ser desses é um ideal científico buscado desde que a ciência existe? E que com isso, a ciência nada mais quer que se equiparar a Deus? E isso é muito louco! A ciência tenta se afastar de Deus, criando suas próprias verdades, baseadas em fatos concretos e não na fé, mas quer se equiparar a ele. Isso só reforça minha opinião de que a ciência [pelo menos a tradicional] é tão dogmática quanto a religião. Vamo mudar issaê, Brasil!
Mas toda essa busca por realizar algo tão grandioso teria suas conseqüências (caso isso se realizasse, claro). E essas histórias, desde Frankenstein, são ótimos exemplos sobre tais conseqüências. Essas “criaturas” poderiam sentir um eterno vazio por não se sentirem “encaixadas” entre os humanos. Poderiam se sentir seres inferiores, afinal, o ser humano sempre se acha superior a tudo, não é mesmo? E isso poderia gerar a tão famigerada revolução das máquinas contra os humanos. Motivos para se rebelar, os robôs teriam de sobra! Acho até que eu estaria do lado dos robôs, lutando pelos “direitos humanóides”, rs.
Bom, voltando à série, os personagens que compõem o grupo de robôs que possuem “sentimentos” são bem diversificados. Cada um deles possui uma personalidade marcante, apesar de serem bastante racionais e, em certa medida, mecânicos, não sabendo lidar muito bem com suas emoções. A Niska, por exemplo, é uma rebelde COM causa, e super desconfiada com a humanidade, devido a tudo ao que já foi submetida. Max é um fofo, super otimista, e acredita na bondade humana (eles são meus personagens favoritos <3). Fred é forte e durão. Mia é cuidadosa e amorosa. Karen é solitária e desacredita na bondade de qualquer ser (seja ser humano, seja robô).
Outro ponto bastante positivo da série é a relação que os “robôs com sentimentos” constroem entre si, mas não vou falar sobre isso se não vai rolar spoiler. A atuação dos atores que fazem os robôs é outro ponto digno de respeito, em especial os personagens de Max e Odi. Odi é um dos robôs, e tem uma relação de amizade bem bonita com o seu dono, um senhor já velhinho, com a memória falha, que encheu meus olhos de lágrimas algumas vezes.
Apesar dos vários pontos positivos, a série tem alguns furos como, por exemplo, a atuação do cara que faz o Leo, que às vezes (quase sempre) não me convence. Outras questões que ficam pairando no ar são como danado a Karen conseguiu entrar para a polícia sendo um robô? O que os “robôs com sentimentos” fizeram todos os anos anteriores, desde sua criação? Para onde a Anita levou a Sofia no primeiro episódio?
Mas mesmo assim, ainda dou 4 estrelinhas para a série =D
Bjinhos e até mais!


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