segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A notícia

Mais um dia aqui em frente ao computador elaborando aulas, tentando escrever o projeto de dissertação, lendo, respondendo e-mails, vendo besteiras na internet... Aí na hora do almoço digo a mim mesma: preciso sair daqui! Vou assistir TV. Nunca mais vi um noticiário, e preciso me atualizar! Ligo a bendita. Estava passando o Jornal Hoje, e de repente uma notícia chocante: Imagens deploráveis do IML de um estado brasileiro que não recordo o nome agora. As imagens eram absurdas, situação de calamidade pública! Sacos cheios de ossos humanos entulhados, provas de crimes jogadas pelo chão, armas usadas em crimes esquecidas em prateleiras de estantes sujas, amostras de DNA mal conservadas, um corpo numa sala praticamente abandonada, onde qualquer pessoa podia entrar. Dessa sala saiam operários com a mão no rosto, se protegendo do cheiro da decomposição.... isso me embrulhou o estômago... fiquei imaginando quantas pessoas anseiam pelos resultados das perícias, quantas perícias foram mal feitas pelas condições calamitosas daquele lugar... como um órgão publico pode chegar a esse estado... Muitas coisas vieram a minha mente na hora, mas em menos de segundos depois da notícia dada, o belo Evaristo, com uma cara já recomposta e muito feliz (não me perguntem por que uma pessoa fica feliz depois de uma notícia daquela) falava sobre o que são gorduras saturadas e sobre a escolha de produtos nos supermercados...
Gente, me senti tão mal com a velocidade da notícia! Eu, enquanto gestora, enquanto pesquisadora, enquanto cidadã (!!!) queria pensar em algo que pudesse evitar esse tipo de coisa no sistema público, refletir melhor sobre aquela notícia, sobre aquela situação... mas o Evaristo se antecipou e foi falar de gorduras saturadas =/ Ai me lembrei de alguma coisa que algum dia eu li (mal de quem lê demais) sobre a mídia usar a estratégia do “e” para passar muita informação e alienar quem as recebe: Kadafi é morto “e” Brasil ganha em campeonato “e” Sem Terras ocupam terreno “e” Chacina em boate.... É muita informação e pouco tempo pra pensar!
Sei que precisamos acompanhar o ritmo dos acontecimentos, que se dão numa velocidade cada vez mais acelerada, para nos mantermos atualizados... mas é muita coisa ao mesmo tempo! Isso às vezes me dá certo receio, principalmente porque com essa velocidade de acontecimentos ao qual temos acesso, as coisas se naturalizam, se transformam em só “mais um caso”, e ficam por isso mesmo. É bom ter acesso ilimitado ao que acontece no mundo, mas também é perigoso. São muitas as barbaridades, muitas as pessoas que tendem a reproduzi-las, e pouco tempo para pensar sobre as implicações e consequências.
Mas esse não é um problema da mídia somente! A “fast science” é um outro exemplo triste, e uma das fontes da minha frustração com a academia  =/ Mas não quero mais falar sobre isso não. Já me estendi demais =P
Uma solução? Não tenho respostas para os problemas do mundo, mas estive lendo sobre consumo consciente esses dias, e sobre  a velha/nova ideia do pensar global e agir local. Diante de tantas notícias absurdas do mundo todo que entram em nossas casas todos os dias e que mostram o buraco para o qual a humanidade tem caminhado, acho que a melhor saída é não se anular diante de tanta informação e assumir a responsabilidade sobre nossas ações locais. Ainda não abandonei a ideia de que "outro mundo é possível". Façamos diferente, "né?"

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