Duas pessoas com transtornos psicológicos se encontram "por acaso" num experimento maluco e são induzidas a lidarem com situações traumáticas, medos, frustrações etc., em realidades produzidas por suas próprias mentes (com a ajuda de algumas dorgas, mas isso nem vem ao caso aqui nesse texto). Essa é uma sinopse apressada de Maniac, nova série da Netflix, que despertou em mim um desejo meio adormecido, que nunca mais tinha dado as caras: o de escrever sobre sétima arte ❤️
Fiz esse textinho aqui para organizar as minhas ideias sobre essa série inteligentíssima que roubou meu coração! Meu foco aqui nem é a reflexão genial sobre a indústria farmacêutica e suas investidas eticamente questionáveis para resolver questões psicológicas com drogas. Nem a crítica maravilhosa sobre as receitas de felicidade que a indústria de auto ajuda nos empurra todos os dias. Na verdade, essas duas reflexões, na série e na vida, giram em torno de uma que é central: as pessoas em nossa sociedade estão, cada dia mais, doentes psicologicamente.
Essa situação não surge do nada. A série faz uma crítica aos dias atuais, nos quais vivemos em bolhas individuais, nos relacionando de forma superficial com pessoas que também estão em suas respectivas bolhas. Na história, tem até empresa que oferece serviço de contratação de amigos temporários, que simulam afetos reais. Claro que não é necessariamente essa realidade individualista que leva ao adoecimento. Mas há uma relação ai, e isso é fato!
É dessa discussão sobre pessoas adoecidas que vem o que achei mais genial na série: a exposição envolvente sobre o funcionamento da nossa psique. Apesar de os personagens principais terem transtornos psicológicos muitos específicos, durante o experimento eles são colocados em situações “normais”, com as quais a gente facilmente se identifica.
Na história, nos deparamos com questões como: o fato de nos machucarmos eternamente remoendo coisas do passado, revisitando-o, nos culpando por coisas que aconteceram há anos atrás; como a gente deixa nossos “demônios internos” nos atacarem de tantas formas; como a gente reproduz comportamentos que a gente repudia (geralmente comportamentos associados aos nossos pais); como idealizamos seres perfeitos (o doutor com o computador-mãe, Owen com o irmão imaginário...) para nos confortarem de alguma forma; como a gente se esconde atrás de disfarces muito bem elaborados, sem entender muito bem quem somos, seja para nos escondermos ou para fugirmos de nos mesmos; como a gente sempre cai nas mesmas armadilhas de formas diferentes… como a gente sempre repete os mesmos padrões!
É dessa exposição interessantíssima que a série deixa algumas dicas sobre como lidar de forma mais saudável com todas essas artimanhas da nossa mente: o autoconhecimento (até mesmo para um computador, rs) é fundamental! Isso implica compreender nossos padrões emocionais/ cognitivos/ comportamentais; entender como a gente cai em certas armadilhas e situações que nós mesmos nos colocamos; saber como nossas fantasias e idealizações podem nos atrapalhar e/ou nos ajudar; aprender a lidar com os nossos "demônios internos", seja atacando-os, seja se aliando a eles...
A menção ao “isto não é um cachimbo”, feita o tempo todo na série, também deixa sua mensagem: Muito do que julgamos real é só representação. E a gente representa o tempo todo! São muitas outras menções ao longo de toda a série: a coruja, o falcão com sua visão aguçada, o encontro espírita, a jornada dos elfos… tudo parece levar à mesma questão: a busca por autoconhecimento.
E essa jornada é um pouco mais fácil com a ajuda de amigxs que entendem as dores do outro, e se ajudam.
O texto acabou ficando melosinho porque a série tocou em questões importantes para a minha jornada, rs! Mas que bom que tropecei nessa série justamente nesse momento da minha vida! Obrigada, Netflix ❤
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