Tem um texto rolando na internet que fala sobre a nova
geração de mulheres criadas para serem independentes, para ter caixas de e-mail
lotadas, para ter o próprio dinheiro pra comprar sua roupa cara, para dirigir
bem, dirigir sem medo a noite (oi?) e blá blá blá (http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus/a-incrivel-geracao-de-mulheres-que-foi-criada-para-ser-tudo-o-que-um-homem-nao-quer/). De acordo com o texto, os
homens da nossa era não estariam prontos para amar essas mulheres que, para a
autora, voam... ^^ Poético, não?
Mas o que acontece é que fiquei incomodadíssima com esse
texto por dois motivos principais: primeiro por exaltar um perfil de mulher
menosprezando outros. Vem cá: Qual o problema da mulher que cozinha, que cuida
da casa, dos filhos, que costura? Por acaso isso não é um trabalho tão digno
quanto o da mulher que trabalha fora? Será que essa mulher que trabalha fora e
compra suas bolsas caras com seu próprio dinheiro é realmente feliz com seu
trabalho, que provavelmente toma a maior parte do seu tempo, invadindo sua vida pessoal e talz?
Gente, eu não entendo de imposto de renda, não ando de salto
pra lá e pra cá (por questão de conforto), não curto bolsas caras (só ando de mochila, é mais prático), não gosto de
dirigir, e acho que faço parte de uma nova geração de mulheres... que tenho lá
meu valor... rsrs! (Usei as características que a autora do texto usa pra
ressaltar esse perfil de super mulheres).
Segundo: O texto rodou, rodou, e caiu na mesma questão de
sempre: nós, mulheres, precisamos atender as expectativas de alguém. Nós
precisamos de alguém para nos amar, para “pousar do nosso lado no fim do dia”,
para “nos dar colo”. POR FAVOR, GENTENEY! Será que ainda não ficou claro que
nós, mulheres, temos buscado maior liberdade para atender necessidades nossas,
e de mais ninguém?! O que está em jogo são nossos direitos, nosso bem estar,
nossa liberdade... Um relacionamento é algo que vem bem depois dessa “tomada de
consciência de si”.
Além disso, acho que não dá para generalizar. A mentalidade
masculina tem mudado. Novos perfis de homens também tem ganhado espaço. E não estou
falando de homens “vagabundos e irresponsáveis”, que não querem ser os
provedores da família, como sugeriu alguém num comentário precipitado sobre
esse mesmo texto que estou comentando. Mas de caras mais sensíveis, que
entendem que podem dividir responsabilidades com suas parceiras, e que não são
menos homens quando cuidam dos filhos ou fazem uma faxina.
O texto tem lá seu ponto forte ao afirmar que as mulheres
estão buscando cada vez mais liberdade, rejeitando submissões etc. Isso é
importante, e acho que não pode ser desconsiderado. A grande questão (na minha
leitura) é que ainda há muita coisa em jogo, e escrever sobre isso exige enorme
cuidado, afinal, a linguagem é uma arma poderosa.
Algumas pessoas se precipitam ao dizer que dar direitos às
mulheres é dar-lhes um emprego precário (precário no sentido de que rouba sua
subjetividade, seu tempo, sua privacidade, etc), contanto que tenha a mesma
remuneração que é dada aos homens. A discussão é bem maior, e quando compartilhamos certos discursos, estamos fortalecendo ideologias, e incitando práticas.
Bem... é isso. Não liguem para os errinhos de português, morro de preguiça de reler o texto.
Inté!
Nenhum comentário:
Postar um comentário