terça-feira, 5 de abril de 2011

Confissões de uma mestrada iniciante...

Acho que tenho algum tipo de deficiência cognitiva... Não consigo entender metade das discussões das aulas de sociologia... e é péssimo ver todos os ânimos alterados em cima de uma discussão interessantíssima que você não tem fundamento teórico para simplesmente acompanhar =( Estou sentindo na pele o quanto é difícil se inserir em outro contexto (mais uma vez, rsrsrsrsrs!). Mas estou esperançosa! O pouco que consigo captar de todos os debates estão me encantando, e me mostrando um novo caminho para a compreensão das coisas, principalmente sobre o homem de negócios (objeto de estudo ao qual me dediquei nos últimos tempos)! Outra coisa também não muito legal: comecei a sentir os efeitos do mestrado, rsrsrsrs! Tive um dia atribulado ontem que envolveram um banho de chuva antes de chegar na universidade, um trabalho mal apresentado por problemas psicológicos meus ( eu estava muito nervosa, coisas de iniciante!), e o pior de tudo, problemas com minha amada bolsa o que me levou a não assistir uma aula na qual eu iria dar minha primeira contribuição bacana.... os efeitos vieram de madrugada: dor no corpo, enxaqueca, suor frio, cólicas (o último sintoma em decorrência da querida TPM). Bem, mas vamos ao lado bom do dia: mais uma vez tive oportunidade de ler e refletir sobre a crônica “Só vim telefonar” de Gabriel Garcia Marques! E mais uma vez senti aquele incômodo lá no âmago do meu ser com as ligações que fiz entre o texto e os debates sobre as organizações e suas teorias! Pra quem não conhece a história, fala sobre uma mulher, cujo carro quebra no meio da estrada. A mesma pega uma carona num ônibus que está levando enfermas mentais para um manicômio (a protagonista da história não sabe desse pormenor) com o propósito de simplesmente telefonar, no entanto, ao chegar no manicômio é considerada mais uma louca em meio a tantas outras do ônibus, e passa o resto de seus dias naquela “prisão”, sendo considerada insana mental... Tive meu primeiro contato com esse texto na graduação, no livro “Sobre Organizações e outros escritos” do meu querido orientador de TCC,  e ele foi um grande “abridor de olhos” para mim, influenciando toda a reflexão critica que vim a fazer do mundo e da administração desde então! Vejo claramente nesse conto uma analogia com as estruturas modernas que nos rodeiam, o poder que elas é capaz de nos impor, através de uma racionalidade específica, nos eliminando enquanto seres singulares, nos transformando em “mais um”... para mim não existe termo mais desumanizante... “MAIS UM”! E isso me revolta!!!!! É o que acontece em grande parte das empresas (se não todas!), é o que acontece, em certa medida, na sociedade em geral.... estamos submetidos a regras, e nos conformamos a elas a fim de termos garantido o nosso espaço (mas será que é nosso mesmo? Será que quem manda nele somos nós realmente?). A coitada da protagonista é considerada irracional (considerando a racionalidade predominante naquele contexto) e cada tentativa sua de sair daquele manicômio, de se libertar, é considerada um sinal da piora do seu estado mental... ai fiquei pensando com meus botões: tenho uma hora de sair de casa, uma hora para assistir aula, procedimentos a seguir no curso para atingir uma nota (conceito) e ser aprovada, tenho um prazo para entregar minha dissertação, tenho uma meta de dois artigos a publicar nesse curto período de tempo do mestrado... eu to presa numa estrutura que me impõe regras, gente!!! E não fui eu quem criei as regras, mas eu tenho que dançar conforme a música.... a conformidade que tanto me revolta, está presente em mim! Bem, não vou prolongar a discussão, até porque já quebrei muito a cabeça hoje lá no PROPAD e lá no PPGS... preciso dormir urgentemente!!!!! Somos todos conformados mesmo, e daí? Boa noite!



Um comentário:

  1. Tenho uma provocação: Jogar o jogo! Certamente Bourdieu já me acalentou em algumas dessas suas dúvidas. Disposições para jogar o jogo...estamos todos descobrindo novas regras de novos campos da ação.
    Certamente quando começar a observar mais claramente as estruturas lá de sociologia, vai descobrir como bolar estratégias de ação.

    Descanso é essencial!
    Parabéns pelos escritos!

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